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Toma que o filho é teu!




Se você tem mais de um filho, responda: Qual a diferença entre eles? Lógico que a resposta só pode ser: muitas. Cada filho é um ser diferente, com uma personalidade única e como em qualquer relação humana, nos relacionamos com cada um de forma diferente, subjetiva. Mesmo que digamos amá-los igualmente, as diversidades individuais modificam a maneira de demonstrar esse amor. Isso acontece com todo mundo e é natural.

Mas um fato que de natural nada tem e ainda hoje é uma chaga social, é a capacidade de alguns pais, de se darem ao desplante de ignorar um filho. Não tenho esse problema próximo a mim, mas conheço vários casos e acompanho dezenas de histórias semelhantes dentro de uma escola. Por diversas razões, todas injustificáveis (diga-se de passagem), o pai resolve que aquele filho não merece atenção, cuidados, apoio, recursos, e, não raro, um nome.

Sinto muito, mas não dá pra ser complacente com esse tipo de criatura. Nada explica uma crueldade dessas. Nem a falta de recursos, nem a falta de relacionamento com a mãe da criança, nem a presença de uma família constituída, nem a pouca idade, nada. Fico matutando que, muitos desses pais invisíveis, tornam-se pais amorosos e dedicados de outros filhos, e quando isso acontece me pergunto como conseguem dormir em paz, sabedores de tamanha injustiça?

Hoje, apesar de tantas informações disponíveis, ainda acontecem filhos não planejados. Existem leis que protegem o filho do não reconhecimento, existem os exames de DNA, a paternidade presumida, e outros artifícios da lei. Mas ainda não existe a cura para essa ferida aberta na vida de tantas crianças, adolescentes e jovens, que carregam apenas o nome da mãe e o peso da ausência do pai. Alguns até são protocolares, cedem o nome, depositam a pensão, e ponto. É preciso lembrar que ainda não desenvolveram a partenogênese humana. Pra gerar um bebê ainda é preciso pai e mãe.

Não sei por que esse assunto veio à baila hoje. Mas a verdade é que sempre me indignou essa hipocrisia social tão aceitável e blasé. Volto a perguntar então: qual a diferença entre seus filhos?

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