Jabuticaba, fruto da jabuticabeira, árvore frutífera genuinamente brasileira e natural da Mata Atlântica. Fruto doce, de sabor peculiar, com gosto de infância, rica em propriedades medicinais e que só existe em terras tupiniquins. Há quem ame, há quem prefira as uvas. Não sou do primeiro time, mas gosto dela bem gelada, pra refrescar o calor da época em que podem ser colhidas. Mas o que me chama mais atenção é a fruta ser endêmica em solo verde e amarelo.
Outras jabuticabas temos, nem sempre são doces, tampouco benéficas pra saúde, mas se não endêmicas na existência, o são na extensão. Coisas do Brasil! Pois bem, vamos à lista.
Carnaval! Onde, senão aqui, o mundo para, a vida estanca, a economia tira férias e um país inteiro cai no samba? Primeira página, assunto de todas as mídias, plantão do jornalismo. Onde, senão aqui, por quatro dias, madrinha de escola de samba tem mais prestígio que presidente? Onde, senão aqui, o ano só começa depois do carnaval? Jabuticaba!
Novela! Existe em outros países, você pode dizer. Mas... Onde, senão aqui, um país inteiro para pra ver o último capítulo do folhetim de horário nobre? Primeira página, assunto de todas as mídias, plantão de jornalismo. Novela dita moda, forma opinião, rege comportamentos. Novela paralisa, subverte valores, vende produtos. Onde, senão aqui, todas as mazelas de um povo são esquecidas diante de uma boa dose de romantismo e suspense? Mais uma, jabuticaba!
Impunidade! Talvez a mais amarga das endemias. E infelizmente, nem sempre vira notícia. Corrupção, abuso de poder, mensalão, pizzas, nepotismo, prevaricação, superfaturamentos, eticetera, eticetera, eticetera, tudo na vala comum dos crimes sem castigo. E os criminosos desfilando impunimente em rodas seletas e em cargos de prestígio nacional! Onde, senão aqui? Podres jabuticabas!
Jeitinho! Uma praga nacional. Corrupção não é privilégio nosso, mas a farra do jeitinho, que não raro se enquadra em corrupção deslavada e escancarada, é nossa de corpo e alma. Onde, senão aqui, pra tudo dá-se um jeito? E não é da criatividade brasileira que estou falando. É do cara que fura fila, do policial que dá carteirada no colega, do “inocente” suborno em repartições públicas, do dedo de silicone pra bater o ponto do colega, e de infinitas outras formas de burlar regras e leis. Jabuticaba infeliz e azeda!
Diversidade! Maravilha nacional, pois nem só de más jabuticabas vive o brasileiro. Onde, senão aqui, podemos ver desfilar, em qualquer esquina, tão diferentes origens, e cores, e credos? Onde convivem em paz (ok, nem sempre) brancos, negros, pardos, amarelos, índios e todas as misturas possíveis ou impensadas? Somos um povo único, tudo junto e misturado. Boas jabuticabas!
E assim vamos vivendo. Colhendo nas estações doces frutos cor de vinho, naturais de nossa Mata, mas presentes nos quintais do Oiapoque ao Chuí! E combatendo, ou por vezes ignorando, os frutos de outra árvore, de outros quintais! E você. Gosta de jabuticaba?
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