Hoje senti cheiro de natal! Não sei bem de onde vem, não sou boa em nomear plantas, mas é um perfume de erva que me leva lá. E, com a pressa que o tempo anda tendo, ele irá chegar em... um...dois...três dias. Ufa! Como o tempo está afobado! Ou será que a pressa é nossa? Às vezes me pergunto: onde eu estava no carnaval, na páscoa, nas férias? Acho que hibernando, só pode! O ano mal começou e já avistamos dezembro com seu jingle bells.
Sempre adorei o natal. Na infância contávamos os dias no calendário e ele demorava tanto a chegar! Um ano, uma eternidade! Sentia cheiro do natal, gosto do natal, vibração de natal. Frêmitos de euforia no dia da ceia, com seus preparativos que perfumavam toda a casa e vislumbrava uma noite mágica, recheada de paz e ternura. Sempre soube quem dava os presentes, mas gostava de sonhar com a existência do bom velhinho. Sinto saudades desse tempo!
Quando cresci, continuava gostando da festa natalina. Mas, não me lembro exatamente quando se deu, em determinado ano senti falta de uma emoção conhecida, de uma magia que não conseguia mais sentir. Lembro que nos anos que se seguiram, ainda procurava bem lá no fundo, aquela sensação de criança, mas, nunca mais consegui encontrá-la. O jeito foi me resignar e me contentar com o natal de adultos. Bom também, mas sem termos de comparação! Ficava sempre a sensação de estar faltando alguma coisa.
Hoje confesso que, ao me deparar com a proximidade natalina, senti certo desconforto. Não pela data em si, mas por tudo que a envolve. São tantos compromissos, confraternizações, reuniões, formaturas, que chegamos exaustos na festa de natal. Obrigações sociais, caixinhas de toda ordem, apelos comerciais e uma enormidade de penduricalhos que engordam a conta do papai Noel e embaçam o espírito real de toda essa comemoração.
Mas, vamos lá. Já, já começam os comerciais de TV, os filmes com enredos natalinos, a centésima reprise de “Esqueceram de Mim”, o especial do Roberto Carlos e o “Hoje é um novo dia, de um novo tempo...” da rede Globo. Vêm também as manjadas matérias sobre 13º salário, as promoções mirabolantes de fim de ano, pisca-pisca e um cheiro de panetone no ar! Não há como fugir.
Pois bem Natal pode chegar. Do jeito que as coisas andam, provavelmente não terei tempo para os agrados culinários com os quais sempre gostei de presentear pessoas queridas. Possivelmente também, o espírito de Natal só irá bater em minha porta lá pelo dia 24, aos quarenta e cinco do segundo tempo, mas tá valendo! Papai Noel, não seria possível atrasar o relógio do tempo?
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