Relembrando as aulas de física no colégio, inércia é a propriedade de um corpo permanecer no estado de repousou ou movimento em que se encontra, até que uma força o faça mudar. Por isso somos jogados pra frente quando numa freada brusca, por isso somos lançados pra trás numa arrancada forte, por isso temos preguiça gigante nas férias ociosas, por isso nos aceleramos tanto mergulhados no corre-corre da vida. Tendemos a perpetuar um padrão, até que uma força, uma motivação, um acontecimento nos tire da inércia.
Vejo isso claro como água em minha vida. Dias úteis, trabalho, correria, produção, conexão. Fico ligada nos 220 e faço mil coisas ao mesmo tempo. Férias, sono, lassidão, lentidão de atos e pensamentos. Sei lá em que voltagem me ligo, aliás, nem sei se me ligo, mas faço uma coisa só de cada vez se a lerdeza deixar. Ando assim atualmente. E quanto mais eu durmo mais sono tenho; e quanto menos falo menos vontade de falar experimento. Virei ostra, me prendi dentro da casca e da casa!
Mas assim que voltar a atividade, deixo essa vida de urso hibernado e volto à rotina e ao movimento acelerado. Por enquanto ando mesmo é em estado de repouso e não há Newton que me tire dessa inércia. Uma parada estratégica para me refazer do trabalho, dos problemas, das tristezas e incertezas. Preciso disso e troco sem piedade alguns programas de férias pelo direito de não fazer nada, ou fazer só o que tenho vontade. Aí, quando meus pensamentos começam a me assombrar, quando a insônia ronda e atormenta, é hora de subir à tona e pisar novamente no acelerador.
Enquanto esse dia não chega, as tardes escaldantes são um convite a madorna, a leituras e a horários escalafobéticos. Compromisso só com a escrita, que sem essa não posso mais ficar.

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