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Topas um chazinho?





Topas um chazinho? Essa bucólica indagação faz parte do acervo de causos de minha família. Minha mãe queria muito comer pizza e não sendo possível no momento por motivos que não me lembro, meu pai ofereceu inocentemente um paliativo. Pra quê! Depois de conter a ira dela, o fato virou lenda e há algumas décadas damos boas risadas dele.

E você, aceita uma xícara de chá? Confesso que não sou muito afeita às infusões de ervas, tolero alguns, detesto outros, outros ainda são bem vindos em um dia de inverno pra espantar o frio, mas não tenho o hábito, sou mais uma boa xícara de café forte. Há chás pra todo gosto e pra todo fim; emagrecedores, fitoterápicos, calmantes e uma infinidade de aplicabilidade. Mas se alguém lhe oferecer uma xícara de chá, aceite. Não pelo gosto, ou pelo fim, mas pelo gesto. Carinho puro!

Minha sogra conhece tudo de chá e sempre tem algum especial para um momento de necessidade; uma dor de garganta, gente nervosa, desarranjo, ou seja qual for o problema, lá vem ela com um chazinho especial. Meus pais sempre tomam chá pela manhã e o que acorda primeiro espera o outro para degustarem juntos a infusão. É ou não é demonstração de afeto? Lembro que quando ficava doente minha mãe servia chá preto com torradas, ou quando passava mal do estômago minha tia avó fazia chá de boldo (esse é horrível ao paladar, diga-se de passagem) e para insônia ou tristeza um chazinho de erva cidreira ou camomila é um santo remédio, ela repetia.

Dizem que os chás são a bebida mais consumida no mundo, muitas culturas fazem dele a bebida ideal para estar junto, conversar, trocar ideias, reunir a família em torno da mesa.Quente ou gelado, simples ou acompanhado. Numa breve pesquisa encontramos uma infinidade de sabores e propriedades das mais mirabolantes imputadas às ervas, flores e frutos os quais podemos transformar em xícaras de cuidado, acolhimento e prazer. Alguns podemos até encontrar em farmácias, transmutados em pílulas que facilitam a ingestão para aqueles que querem apenas os efeitos, mas aí todo o ritual se perde.

Para um sono tranquilo, chá. Para o lanche das cinco, chá. Para aquecer uma gélida noite de inverno, chá. Para despertar os pensamentos em frente à tela do computador, chá. Para embalar papos com queridas amigas, chá. Em xícaras ou canecas (adoro canecas) são porções de guarida, ao outro ou a nós mesmos. Só não aconselho oferecer a alguém desejoso de comer uma boa pizza! E aí, aceita uma xícara de chá?

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