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Eu não sabia!



Atire a primeira pedra quem nunca pregou uma mentira! Por menor e mais inofensiva que seja. Todos nós, em algum momento na vida, já usamos da mentira. Seja pra agradar alguém, seja pra se safar de uma enrascada, seja para se livrar de uma saia justa, ou qualquer outro motivo. O fato é que mentiras fazem parte de nossa vida desde a tenra infância. Mas há mentiras e mentiras. Algumas jazem esquecidas e não fizeram mal a ninguém. Outras nos colocam em uma situação de tensão constante, pois dão trabalho pra serem sustentadas e, por mais cara de pau que o sujeito seja, deixa um gosto amargo na boca. Outras ainda são tolas e transformam o mentiroso em bobo da corte. Melhor então é lançar mão da verdade sempre, doa a quem doer!

Mas há um grupo de mentiras que, apesar de estarmos habituados a elas e até mesmo esperarmos por elas, ainda tem o poder de nos trazer sentimentos de extremo desrespeito. São as mentiras contadas pelos homens e mulheres que ocupam cargos públicos e representam o povo em suas casas. Nada é tão irritante do que alguém que subestime sua inteligência. Tudo bem, somos uma nação resignada e mal educada politicamente, mas não exagerem, por gentileza.

Explicar o que não tem explicação, pois está mais do que óbvio, é ridículo e coloca todos os envolvidos em uma verdadeira fábrica de absurdos. Justificar o injustificável cria um sem número de versões tão escalafobéticas e aterradoras, que sempre seria melhor assumir e calar-se. A responsabilidade é sempre dos incautos mordomos, motoristas, assessores acostumados a cumprirem as ordens de seus patrões e pagos para não questionarem nunca. Mesmo que corram o risco de pagarem um pato que não mataram. Pura covardia! Os homens públicos nesse país nunca sabem de nada!

Mas não há mentira que pegue de jeito um observador atento. Gagueira, falta de jeito, tensão, palavras e frases infelizes, pronunciamentos desastrosos, olhos cabisbaixos, ombros caídos. Postura corporal é tudo meus caros! A verdade se diz com confiança, com altivez. Mentira (exceção aos psicopatas) se diz com cuidado, melindrosamente, evitando tropeçar em palavras perigosas e armadilhas gramaticais. É notório! E sempre há alguns fatos no meio do caminho, que avacalham as longas e esperançosas explicações! Mas, não podemos negar, sempre vão existir crentes. Sorte a deles!

E você leitor, sabe do que eu estou falando? Claro que sim. Falo de algum escândalo no Brasil, paraíso da farra com dinheiro público e de algum sujeito “importante”, do Oiapoque ao Chuí, eleito pelo povo, que se acha acima do bem e do mal e que, inocente que é, sabe sempre com toda a certeza, quem é o culpado da travessura descoberta. Sua retórica? “Eu não sabia de nada!!”

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