Há algo de nefasto no ar! Não sei se compartilham da mesma percepção, mas as notícias exaustivamente divulgadas na mídia, sobre os “justiceiros”, me causa um verdadeiro pavor. Não que defenda criminosos, nem tampouco acredite cegamente na justiça desse nosso cambaleante país, mas daí a achar que, se as autoridades não agem, podemos sair por aí matando e acorrentando em nome das pessoas de bem, há uma distância estelar. Voltamos no tempo?
Simplesmente apavorante! E caso as autoridades continuem apáticas e inertes, todos só temos a perder. Vamos transformar nossa sociedade num faroeste, onde em qualquer lugar se mata em nome de uma justiça particular? Estamos no fio da navalha, no limiar de uma guerra civil declarada e escancarada diante de autoridades trôpegas e afundadas em seus próprios problemas e escândalos. Será que não enxergam que a população está saturada e no limite de sua resignação? É bom enxergar e logo, pois até a paciência do brasileiro, tão bonzinho e condescendente, tem limite.
E esse limite está dando sinais do seu breve fim. Os últimos acontecimentos que povoaram os noticiários e a mídia em todas as suas versões, escreve em subtendidas linhas que não aguentamos mais. Violência financiada! A quem interessa toda essa barbárie? Em nome de quais interesses, as ruas se transmutam em um campo de guerra? Um jornalista morto! Fatalidade ou assassinato? Os dois jovens envolvidos estão presos e vão pagar pelo crime, mas com toda a certeza não são os únicos, tampouco os mais perniciosos à sociedade. Em minha leitura, são apenas a ponta de um iceberg e as presas mais fáceis dessa teia que desempodera toda uma nação. Protestar? Não podemos mais, pois corremos o risco de voltarmos mortos pra casa. “Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil” alguém se habilita?
Quais as verdadeiras causas de toda essa violência que não escolhe mais hora nem lugar? Estamos todos vulneráveis e igualmente cercados. É hora de perguntar: e agora, quem poderá nos proteger? A polícia mal aparelhada, mal treinada, mal remunerada? Não podemos generalizar, ainda há muitos homens de bem lá e muita boa intenção, mas os inúmeros casos de corrupção, abuso de poder, ações precipitadas e infelizes, nos põe em alerta. A justiça lenta, burocrática, obsoleta e cheia de brechas absurdas? Ainda vivemos um poder judiciário teórico demais, com regalia demais, muito distante da dura realidade das ruas. E não são raros os ataques àqueles que querem mudar esse cenário. Poderíamos contar com nossos representantes no governo, mas esses estão muito envolvidos na hercúlea tarefa de se manterem no poder. Enxergar os dilemas de seu povo? Quem sabe em outubro?
Estamos sós e acuados. Talvez esse sentimento explique a onda dos justiceiros, mas não justifica. Por mais que a indignação nos ronde a todo o momento, ainda vivemos num Estado de Direito e assim tem de ser. Por mais que a nossa vontade seja a de exterminar os podres poderes que nos desampara, temos meios mais pacíficos que a quebradeira e a selvageria. Aliás, temos a mais pacata e categórica arma para esse fim: o voto. Basta que, ao depositá-lo numa urna, não esqueçamos em casa todo esse abandono que nos assombra, nem todo o sofrimento a que nos submeteram. Aí sim, seremos bons justiceiros e poderemos sonhar com dias mais leves e um país, verdadeiramente, mais promissor.
Comentários
Postar um comentário
Leitores, deixem seus comentários e impressões: