Pular para o conteúdo principal

Acolhimento



Preconceito! Que atire a primeira pedra quem não o tiver! Temos todos, sem nenhuma exceção, e aqueles que se intitulam liberais e isentos de quaisquer preconceitos é porque ainda não pensaram seriamente a respeito. Remexa seus valores, conscientes ou involuntários, individuais ou coletivos. Procure bem que ele está lá, à espreita, e em algum momento irá se manifestar, é só uma questão de tempo, ou oportunidade. Somos seres preconceituosos por excelência, e as formas desse mal são infinitas.

Vivemos atualmente a cultura do politicamente correto. Mas essa talvez seja a pior das máscaras que esconde o preconceito que temos. Pensamos ao falar, ao escrever, mas o sentimento não recebe igual tratamento. E o que me fez pensar sobre isso agora, foram as ilustrações de uma jovem design gráfica que desponta na mídia. Carol Rosseti é o nome dela, tem 26 anos e é mineira de Belo Horizonte. Carol lançou uma série de ilustrações que escancara o preconceito e todas as pressões sociais sofridas e causadas por nós, mulheres. Somos vítimas e perpetuadoras de um padrão de julgamento, que extrapola as questões raciais, culturais e sexuais. Somos todos (homens e mulheres) mestres em apontar desvios, erros de percurso, e esquecemos um detalhe: a liberdade do outro! Isso é o que delimita a nossa liberdade, lembram? 

Os quadrinhos de Carol me fizeram pensar que esse limite entre o outro e nós, é lembrado sempre que alguém o ultrapassa em nossa direção, invadindo nosso espaço; mas é esquecido em igual velocidade quando somos nós os invasores. Temos o olhar unidirecional e o epicentro é sempre nosso umbigo. A liberdade alheia, de viver como bem entende nos incomoda sobremaneira, mesmo que não sejamos atingidos diretamente por tais comportamentos. Somos intolerantes de natureza, torcemos o nariz, fazemos piadas, apontamos o dedo. Saiu da caixinha em que fomos formados, então não serve!

O mais espantoso nisso tudo é que a vida só existe como a conhecemos hoje, por causa da diversidade. É ela, a pluralidade genética, que permitiu a evolução das espécies e a sobrevivência das mais aptas. Entre nós, humanos, não foi diferente. Sermos um exército de diferentes, com indivíduos únicos e a capacidade quase infinita de combinações diversas, é que nos fizeram fortes o suficiente para dominar o planeta e usá-lo a nosso bel prazer e, contraditórios que somos, fazemos da mesma diversidade, os motivos para subjugarmos nossos semelhantes. Vai entender!

Voltando às ilustrações de Carol, talvez elas nos deem um ponto de partida para uma coexistência mais harmônica nesse mundo tão distorcido que se anuncia. Ao contrário de muitas manifestações feministas que defendem no grito e na agressividade suas ideias, elas nos despertam o acolhimento da essência de cada um, independente de sua aparência, orientação sexual, religião ou comportamento. Levantam a bandeira da paz, da sensibilidade, da tolerância, do respeito incondicional ao outro, seja lá quem ele for, ou como ele for. Falam das mulheres, mas o alcance é bem maior, falam de gente!

Valeu Carol! Que seu trabalho cresça e apareça! E que essas sementes lançadas por você hoje, colaborem com a colheita lá adiante, de um mundo mais justo, mais leve e acolhedor! Para quem quiser conferir, procurem no Facebook e no Tumblr: Carol Rosseti. Eu recomendo!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...