É Brasil, não foi dessa vez! Apesar da Copa ser no quintal de casa, apesar da torcida ter superado a desconfiança e abraçado a causa, apesar da festa prometida, não foi dessa vez! Ficamos em choque! Vimos olhares indignados, discursos endiabrados, tolices e tolices repetidas aos quatro ventos! Os alemães acabaram com nossa brincadeira e jogaram em nossa cara que Copa do Mundo é coisa séria e não tem lugar no pódio pra quem não se esmera, se planeja, se esforça. O sonho do hexa acabou goleado pela competência alemã. Bom pra eles!
Mas, afinal, de quem é esse sonho? O que mudaria em nossas vidas sermos Hexacampeões mundiais de futebol? Absolutamente nada! Faríamos uma farra daquelas, com muito churrasco e cerveja; veríamos milhares de reportagens elevando nossos jogadores ao status de super-heróis, vestiríamos nossa camisa amarela com orgulho, choraríamos diante de crônicas esportivas melosas e repetitivas, veríamos nossos ‘guerreiros’ serem recebidos pela presidente e desfilarem pelo Brasil em carro aberto, colhendo os louros nos braços do povo e da mídia! E só. Passada a festa é vida que segue.
Pois bem, depois da derrota é vida que segue como seria na vitória. Somente sem alegria, sem sorrisos, sem festa. De resto tudo permanecerá igual. Pior pra nós! Acredito que nossa tristeza de hoje seja por nós mesmos, por nossa carência de júbilos, por nossa falta de bons exemplos, nossa absoluta ausência de portos seguros, de braços fortes, de brados retumbantes. Queríamos ser campeões em campo, mostrar ao mundo que somos os melhores, que nossos talentos brotam nos quatro cantos desse país gigante, que futebol tá no sangue do brasileiro. Não deu. Vai ficar pra próxima.
No fundo sabíamos que não éramos tão bons assim, mas nos deixamos levar pela emoção, pela esperança de que algo mágico aconteceria e no final daria tudo certo. Das outras vezes também foi assim, meio esculhambado, mas pusemos a mão na taça! No fundo sabíamos que não podíamos ganhar! Seria injusto com aqueles que realmente se prepararam como manda o figurino. Estamos parados no tempo, vivendo de glórias passadas que não nos mede hoje. Concordo que podíamos passar sem o vexame, mas perder faz parte da vida e do jogo. Como já disse Albert Einstein: ‘O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. ’
Mas nem tudo está perdido! Podemos tirar valiosas lições dessa Copa. Como brasileiros e patriotas que fomos durante o torneio, encantamos o mundo com o que temos de bom e, ao contrário do que professavam os pessimistas de plantão, acolhemos o mundo inteiro e deixamos saudades. Anfitriões cinco estrelas! Como amantes do futebol que somos já sabemos o que precisa ser feito pra voltarmos a ser os donos da bola, façamos! Como povo alegre e convivente, mostramos aos cidadãos do mundo que somos civilizados e sabemos respeitar as diferenças culturais, sejamos tão civilizados quanto, domesticamente, a partir de agora! Como dizia a minha avó, caridade começa dentro de casa!
Enfim, a despeito das maldições e teorias conspiratórias, a Copa brilhou, a festa acabou e ainda ficaremos alguns dias com sintomas de abstinência até voltarmos à nossa labuta cotidiana. De todas as cidades sede, Belo Horizonte fica com a nota dissonante nessa folia e não estou me referindo à derrota humilhante da seleção brasileira frente à campeã do mundo, fosse esse o drama, estaríamos mais leves. O jeitinho brasileiro matou duas pessoas na queda de um viaduto em construção e que deveria estar pronto desde abril para os jogos. Uma tragédia que só não teve proporções muito maiores, porque Deus ainda é brasileiro! Graças!
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