Desconstrução! Palavra de ordem usada incessantemente durante a recente campanha eleitoral. Virou moda, caiu no gosto popular, desfilou em capas de revistas, jornais e tudo que é matéria sobre os embates eleitorais. O conceito de desconstrução, segundo seu criador (o filósofo francês Jacques Derrida), não é sinônimo de destruição e sim de desmontagem, e foi proposta originalmente para a análise de textos literários e não de pessoas. A despeito disso, a desconstrução de nomes, biografias ou reputações, foi a vedete dos debates eleitorais e estava muito mais para extermínio do adversário ( nem sempre pautado na verdade) do que para um exame crítico da potencialidade dos mesmos. E a tática foi usada por todos, sem exceções e sem moderação!
Pois bem, usando da mesma artimanha, vamos desconstruir o cenário político-filosófico-partidário que tomou de assalto as redes sociais, os grupos privados de Messenger, os perfis e murais de muitos eleitores, dos mais apaixonados aos mais reservados. Pouco se ouviu de propostas e programas de governo. Pouco se soube de ideias e possíveis posturas diante de problemas que brevemente baterão em nossa porta. Pouco ou nada vimos de análises sérias e isentas do cenário que nos envolve. Passamos nesse período de campanha, tempo demais com olhos grudados nos retrovisores de um Brasil que não existe mais e tempo de menos mirando o futuro que se anuncia. Sabemos muito sobre o que fizeram e muito pouco sobre o que farão (ou fariam). Votamos todos, como quem endossa um cheque em branco, independente da cor da caneta (vermelha ou azul).
Ao fim do pleito, o cenário era agonia. Maus vencedores e maus perdedores queriam desconstruir até o país, passar um muro no meio, expurgar e classificar compatriotas, segregar e expatriar descontentes ou diferentes. Um festival de ofensas, barbaridades, bobagens, absurdos e intolerância de ambos os lados. Se por uns o processo democrático brasileiro foi elogiado e consolidado, por muitos ele foi transformado em um ringue de indelicadezas e desrespeitos ao direito sagrado de discordar. Lamentável!
Mas a democracia segue inviolável e assim deve ser, custe o que custar, haja o que houver. Seja de direita, esquerda ou de centro, que a vontade desse povo seja sempre soberana, independente dos motivos que apontem pra esse ou aquele caminho, pois, depois da escolha sacramentada, embarcamos todos (vencedores e vencidos) na mesma canoa e estaremos juntos inexoravelmente, na calmaria ou na tempestade. Que a palavra de ordem a partir de agora seja construção, de caminhos, de soluções, de aprendizados. E que a civilidade e o respeito reinem!
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