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Lata d’água




“Lata d'água na cabeça / Lá vai Maria, lá vai Maria / Sobe o morro e não se cansa / Pela mão leva a criança / Lá vai Maria!” Pois é, essa antiga marchinha de carnaval, imortalizada na voz de Marlene, está mais atual do que gostaríamos. Muita gente por aí, sem nenhuma conexão com nível social, anda carregando lata d’água na cabeça, no ombro, no carro. Pisca alerta ligado!  Perigo logo adiante! O que era infinito dá sinais de grave escassez!

Há muito se fala em falta de água potável no planeta e os pessimistas de plantão já apregoam uma terceira grande guerra por ela. Pra muitas nações e mesmo em regiões brasileiras castigadas pela seca sem solução, o perrengue já é velho e o sofrimento é perene. Mas nós, habitantes de regiões antes privilegiadas pela fartura d’água, estamos começando a viver o drama da escassez, do racionamento, das torneiras secas. E mais que nos desesperar devemos refletir: o que cada um de nós está fazendo a respeito?

Muito pouco, eu digo. E não pensem que me excluo desse time. Nossa ficha ainda não caiu que este é um problema de todos e não só dos governos e das concessionárias que tratam e distribuem água. É um problema global, coletivo, que deveria sensibilizar a cada um de nós.  Claro que prever, planejar, informar, estruturar e regular o fornecimento dessa água é papel deles, mas o uso consciente é problema nosso. Mas não temos visto muitas ações benéficas serem tomadas de nenhuma das partes.

Se os governos, por motivos diversos e perversos, não realizam planejamentos estratégicos; se os órgãos responsáveis não se adequam; se os responsáveis sonegam informações à população; nós não nos conscientizamos sobre a necessidade de reflexão e de mudanças de comportamento. Continuamos esbanjando o líquido vital, mesmo sabendo que o vizinho sofre com a falta dele. Falta-nos compaixão e empatia com os problemas alheios, mesmo sabendo que pagaremos caro por nosso egoísmo. O planeta é uma teia complexa e sutil, somos todos vulneráveis, é só uma questão de tempo e o tempo voa!

O futuro chegou. Água virou artigo de luxo. O mar tá virando sertão. E agora?

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