Não tenho preconceitos literários, nunca tive. Costumo ler de tudo e minha modesta biblioteca guarda um mosaico de autores que vão de Olavo Bilac a Leminsk, de Nietzsche a Carpinejar. Mas um fenômeno vem acontecendo ultimamente e só agora me dei conta dele, em minhas ultimas aquisições, colecionei autoras e em minha cabeceira, 95% dos títulos são de escritoras. Não foi um movimento calculado, não estou me tornando uma leitora especializada em mulheres, aconteceu naturalmente. Ou talvez sejam elas, as mulheres, que estejam dominando o mercado literário. Vou pesquisar a respeito.
Claro que não descarto nenhuma boa obra de qualquer escritor, mas nos últimos tempos, tenho me encantado com os escritos femininos e tenho buscado, aí sim deliberadamente, ler mais textos de mulheres, seja em livros, em blogs ou colunas. Algumas de minhas prediletas já são clássicos da poesia nacional, como Cecília Meirelles e Adélia Prado e dispensam qualquer comentário. Martha Medeiros, da qual sou fã inconteste há um bom tempo, também já se tornou unanimidade nacional e passeia entre o verso e a prosa com a mesma eloquência. Lia Luft, apesar de eu não apreciar tudo dela, tem livros sensacionais, principalmente os romances. Acho Zélia Gattai uma gostosura de ler, Lygia Fagundes Telles surpreendente em suas narrativas e Clarice Lispector dispensa qualquer apresentação. O universo de estilos é imenso. Podemos até fundar a Academia Feminina de Letras!
Mas duas dessas escritoras que conheci como tal há pouco tempo, me arrebataram. Maitê Proença e Fernanda Torres. Acostumada a vê-las como atrizes, as escritoras superaram o primeiro ofício. Maitê, linda e meio canastrona na tevê, é infinitamente melhor em seus livros. Fernanda, atriz de primeira, é igualmente brilhante na literatura. Ambas apresentam uma linguagem direta, sem mimimi, sem meias palavras, sem receio de se posicionar. Um tanto trágicas, um tanto cômicas, seduzem em crônicas e romances. Recomendo.
Aliás, recomendo leitura em geral, seja no velho e insubstituível livro (que é 3D e multissensorial) ou na internet, onde 9 entre 10 brasileiros passam boa parte de seu tempo atualmente. Há muita literatura disponível na rede, clássicos e novatos, assunto pra todo gosto. Só procurar e mudar um pouco o foco das redes sociais, que encontramos muitos textos bons, que enriquecem nossos conhecimentos e alargam nossos horizontes. Conhecimento não ocupa espaço e com as facilidades digitais, pode sair de graça. Vale experimentar!
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