Uma notícia no jornal desse fim de semana diz que, depois que o SISU foi implementado como única porta de entrada na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), houve um aumento na elitização da universidade, a despeito da proposta de democratizar o acesso, que em suma é o objetivo do governo federal nos últimos tempos. Ou seja, tudo como antes, no reino de Abrantes. Não sei como está a situação em outras universidades federais Brasil afora, mas ainda não consigo ver, em grande escala, a democratização de oportunidades tão alardeada, pois não basta estar numa universidade, é preciso ter acesso à educação de qualidade onde quer que se vá.
Na matéria, a proposta é aumentar o sistema de cotas e disponibilizar mais vagas para alunos oriundos de escolas públicas e de baixa renda. Mas continuo acreditando que esse não seria o caminho ideal para um país que se intitula Pátria educadora. Universalizar o topo da pirâmide e não cuidar das bases, a meu ver, é um contrassenso. Amargamos ainda as piores colocações internacionais quando o assunto é educação básica. Temos uns dos piores sistemas de ensino médio do mundo, com currículos equivocados, profissionais mal preparados e desmotivados com as sofríveis políticas públicas de valorização de professores. Caminhamos a passos de tartaruga, a mercê de inovações educacionais pífias e que servem muito mais às campanhas eleitorais do que a melhorias reais na educação pública nacional. Rios de dinheiro são gastos em malabarismos esdrúxulos que não trazem resultados efetivos nas salas de aula. Sem contar as avaliações externas, cujos resultados são questionáveis e em grande parte, cuidadosamente maquiados.
Soma-se a tudo isso o encastelamento dos conhecimentos, que poderiam mudar essa triste realidade. Onde estão os teóricos da educação, os profundos conhecedores da arte de ensinar com eficiência e resultado? Presos em suas torres de marfim nas grandes universidades brasileiras, escrevendo seus livros e rodando o país oferecendo cursos e palestras a peso de ouro, para uma minoria de profissionais de educação que, quando voltam aos seus lugares, acabam sendo engolidos pela realidade e continuam suas práticas de sempre. Temos muitos nomes relevantes quando o assunto é educação, em diversas universidades brasileiras, e o mais incrível é que, nem mesmo os alunos dessas instituições, saem melhor preparados para mudar o cenário atual. E ninguém sabe explicar o por que!
Voltando à reportagem, sendo a UFMG uma instituição bem conceituada e de excelência em diversos cursos, como inúmeras outras espalhadas no Brasil, as notas necessárias para entrar são altas, pois a procura é grande e só os melhores as atingirão. Até aí tudo certo e sem problemas. O problema começa quando olhamos a realidade das escolas públicas de educação básica, que atende a maioria dos alunos de baixa renda e que terão como concorrentes aqueles, filhos de famílias mais estáveis, e que vem da educação privada, com carga horária maior e com maior cobrança em relação ao aprendizado. Não que educação privada seja sinônimo de qualidade, mas, na maioria dos casos, elas oferecem mais aos seus alunos do que o mínimo exigido por lei e que é a oferta das escolas públicas. Portanto, salvo raras e honrosas exceções, o resultado é matemático e previsível. A elite continuará nas melhores escolas, enquanto os outros migrarão para as menos exigentes.
Antes que me atirem pedras, não sou totalmente contra o sistema de cotas. Sou contra o uso desse sistema como paliativo para uma histórica falta de cuidado com a educação básica brasileira. Já ouvi de muitos professores universitários que os alunos estão chegando lá com uma defasagem abissal de conhecimentos básicos. Algumas instituições estão implantando disciplinas para revisarem os conteúdos do ensino médio, pra dar a mínima condição para o aluno seguir adiante no curso. Lamentável e temerário! Com cotas ou sem cotas, enquanto a educação não se ver a salvo do improviso, do jeitinho ou do abuso eleitoreiro, pouco avançaremos. Democratizar a educação pra mim é dar condições para todos os alunos, sejam da rede pública ou privada, competirem de igual para igual, e fazer do esforço individual o único diferencial. Isso sim seria uma Pátria Educadora! Tudo o mais é operação tapa buraco!
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