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Lembranças de infância!




Lembranças de infância! Elixir para aqueles dias difíceis, em que não conseguimos encontrar sentido em tudo que vivemos ou para aqueles momentos que desconfiamos de nossa vocação pra felicidade. Marcas viscerais, capazes de nos acometer de uma alegria desmedida ou de uma aguda melancolia. Mas sempre são bem vindas e necessárias. E o que nos remete a esses momentos? Pode ser uma música, um cheiro, um sabor, bilhetes e cartas perdidas no tempo, fotos e vídeos e histórias; muitas histórias relembradas nos encontros de família, daquelas em que se aumenta um ponto a cada conto e nos reabastece de energia e cuidado!

Todas as vezes que, em noites frias, me deito na cama cheia de cobertas, revivo a sensação que tinha quando criança, uma sensação de gratidão e segurança, de felicidade por ter uma cama quentinha onde todas as noites esperava o beijo de boa noite dos meus pais e ali naquele instante tinha a certeza de que nada de ruim poderia me atingir, estava a salvo de qualquer desventura! Guardo muitas outras recordações, das brincadeiras de casinha com minhas irmãs e vizinhas que duravam todo o fim de semana, dos batizados de bonecas em que meu pai se vestia de padre e fazíamos brigadeiro pra comemorar; do meu primeiro ‘filho’ (Cristiano), um boneco bebê que tinha enxoval e hora certa pra mamadeira que ficava na geladeira junto com as de minha irmã pequena; da piscina de plástico na casa de minha madrinha onde todas as crianças aprenderam a mergulhar; dos almoços de domingo com os primos regado a intermináveis brincadeiras e brigas homéricas; dos churrascos onde a criançada de garfo na mão custava a esperar sair a primeira rodada de carne; das férias em Carmo da Mata com casa lotada e muito doce de leite enrolado na mão; da ansiedade pela espera do natal e outras tantas memórias que me alegram e me transportam no tempo. 

Visitar essas sensações me renova e me faz novamente feliz e grata, por tê-las vivido. E nesses últimos dias, o que as trouxe a mim, foi um livro fantástico que acabei de terminar e que me deixou com um gostinho de quero mais. Nu, de botas do escritor, colunista da Folha de S.Paulo e roteirista Antonio Prata traz crônicas maravilhosamente comoventes. Ao entrar no universo do autor, que conta casos de sua infância narrados pela perspectiva da criança que ele foi, me senti num túnel do tempo. Um texto impecável e divertidíssimo, com histórias doces e hilárias que me levaram várias vezes às gargalhadas e inspiraram um delicioso sentimento de pertencimento naquele mundo de uma família de classe média nos anos 70/80. Um livro leve, de uma ternura ímpar e que lançarei mão todas as vezes que precisar de motivos para sorrir, vai morar na minha cabeceira. Super recomendo!

Mário Quintana disse: “Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância.” Antonio Prata conserva muito mais que vestígios, guarda o olhar de menino e nos arrebata nessa aventura de rememorar a criança que fomos e, por que não, ainda somos!


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