Pontualidade britânica. E até o Big Ben atrasou. Foram apenas 6 segundos, mas atrasou. Vi no jornal das oito que começa as oito e meia e depois vi a novela das nove, que começou exatamente as nove e quarenta e três. Cumprir horário não é o nosso forte. Mas eu sou uma assumida cumpridora de horários, talvez por deformação profissional, talvez excesso de obediência às regras. Gosto de cumprir a hora; prefiro chegar antes e esperar (não gosto, claro!) do que deixar alguém me esperando. Mas se até o Big Ben atrasou, que sejam perdoados então, os atrasados de plantão.
O fato é que, em terras tupiniquins, atrasar é regra. E quando cobramos pontualidade com algum rigor, sempre ficamos às voltas com mil justificativas e desculpas de variados níveis de criatividade, cada um tem a sua e a meu ver, salvo imprevistos a que estamos todos susceptíveis, horário foi feito pra ser cumprido. Simples assim. Chegar na hora combinada é respeitar o tempo e o espaço alheios, assim como iniciar o que se propôs no horário marcado é reverenciar os que se importam.
Não é o que vemos e vivemos. Sempre contamos com o atraso. Reuniões são marcadas às sete e meia pra começar as oito. Eventos são marcados as vinte e duas horas e iniciam quando dá bom tempo. Consultas são agendadas pras catorze e você é atendido às dezesseis. O casamento tá marcado pras vinte e a noiva chega meia hora depois (ok, para as noivas a gente dá um desconto!). Comum até marcarmos algo lá pelas dez, podendo ser um pouco antes ou um tanto depois. E tudo bem, acabamos por nos acostumar com essa flexibilidade toda. Acho que de horário marcado, chova ou faça sol, só mesmo a Hora do Brasil. Em Brasília, dezenove horas!
Atrasados contumazes sempre rendem histórias cômicas ou trágicas, assim como os neuróticos com horários também protagonizam muitos casos, que passado o estresse do momento, caem no rol dos contos que animam rodas de bate-papo. Tem gente que tem o atraso no DNA, estão sempre correndo atrás do relógio tentando acertar os ponteiros com o tempo dos outros e do mundo. Quase nunca conseguem. Haja adrenalina! A vida é um rally eterno! Não é pra mim. Estar atrasada me desequilibra e me tira o foco. Preciso de um mínimo de tempo pra me organizar.
Neuróticos com o relógio vivem à beira de um ataque de nervos, em grande parte pelo atraso dos outros. Ansiedade galopante, mau humor e mais estresse. Vida cronometrada às últimas consequências. Passam o tempo querendo enfiar o mundo e todo mundo em seu próprio relógio. Quase nunca conseguem. Haja cortisol! Infernizam a vida de todos à sua volta. Não chego a tanto. Atrasos me aborrecem, mas tento respeitar o ritmo alheio, mas sem abusos, por favor!
Quando o assunto é horário, fico no caminho do meio. E, se até o símbolo máximo da pontualidade mundial atrasou, é bem capaz que o chá das cinco em Londres já seja servido às cinco e doze. E todo esse papo me fez lembrar uma velha madrinha de minha mãe, que vez ou outra passava uma temporada conosco. _Quantas horas Madrinha Alzira? _São precisamente... faltam quinze pras seis!
Comentários
Postar um comentário
Leitores, deixem seus comentários e impressões: