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Eu escolho acreditar...




Mais um ano anuncia sua partida. Dezembro é mês de chuva, mês de festas e confraternizações, mês de correrias, mês de fazer balanço da vida e recolher motivos pra continuar a caminhada. Esse não foi um ano fácil. Talvez um ano pra nos colocar à prova. Mas a vida é assim, já dizia Guimarães Rosa, o que ela quer da gente é coragem! E é coragem que temos que clamar aos céus, pra enfrentar as turbulências a que estamos vulneráveis apenas pelo fato de existirmos.

O que podemos esperar daqui pra frente? Quem sabe é chegada a hora de aprendermos a esperar menos e fazer mais? A hora de tirar as vontades e planos do fundo das gavetas, tirar as crenças da teoria, as promessas do futuro? Planos e projetos, por mais mirabolantes que sejam, precisam de um primeiro passo. Pra qualquer coisa acontecer é preciso movimento, energias precisam circular. Fazer cada um a sua parte para termos um mundo realmente melhor é urgente.

Estamos instalados num momento um tanto sinistro da história da humanidade. Mundo afora guerras, conflitos armados, atentados terroristas assombram e amedrontam. A vida humana parece não ter mais significado. Milhares de inocentes são massacrados todos os dias e ninguém se importa. Registros importantes da história são destruídos sem piedade.  O horror em nome de Deus e em busca do poder é notícia nos quatro cantos do planeta.

Em nosso país, tão lindo, tão rico e tão promissor, o festival de horrores vem de todos os lados. Dos políticos eleitos para serem legítimos representantes de seu povo, mas que fazem da nação o quintal de suas casas e desfilam impunes com seus sorrisos cínicos, mentindo acintosamente em rede nacional e esfregando em nossa cara a sua absoluta falta de vergonha e de decoro. Assistimos estupefatos a um assalto coletivo aos cofres públicos e a uma falta de respeito tão absurda, que voltar a acreditar em boas intenções e em ideais se tornou missão impossível. Ao menos a minha esperança em qualquer um desses que aí estão, está morta e enterrada!

Como se não bastasse, assistimos um tsunami de lama destruir um rio inteiro, prejudicar milhares de pessoas e causar um impacto ambiental inimaginável e tudo bem, ninguém fala mais nisso. Prova inconteste de que o poder do dinheiro é quem dá as cartas por aqui. Por outro lado, a incapacidade do povo em colaborar com o coletivo e a sua falta de educação, nos põe frente a frente com uma doença misteriosa, responsável por uma epidemia de bebês com malformações. Um simples mosquito capaz de escancarar a nós mesmos e ao mundo a nossa incompetência em cuidar de nosso entorno.

Pois bem, motivos não nos faltam para lamentar. Mas lamentar não irá nos levar a um lugar melhor e mais justo. Lamentar não fará nossos políticos agirem com ética e em prol do bem comum. Lamentar não irá reverter os prejuízos ambientais e humanos causados pelo mar de lama, nem tampouco irá garantir que isso jamais voltará a ocorrer. Lamentar não irá evitar novos ataques terroristas em qualquer lugar do mundo. Lamentar não irá reverter a microcefalia de centenas de bebês, nem exterminar o Aedes Aegypti que grassa livremente no lixo que produzimos. Lamentar não resolve.

Eu escolho acreditar no poder da oração e da fé, na força do trabalho honesto e dos bons exemplos, na magia da poesia, na capacidade do amor verdadeiro, na importância das amizades sinceras. Eu escolho acreditar nos pequenos grandes milagres que a vida proporciona, na força de um povo unido e atento, no poder da educação, no alento das boas ideias. Eu escolho acreditar que se fizermos a parte que nos cabe, poderemos ainda ter esperanças de melhores notícias no próximo ano.

Feliz Natal e Um ano Novo de Esperanças!

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