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Oxalá!







No apagar das luzes, final de ano, todo mundo exausto e esperançoso de novos tempos, os votos são os mais altruístas e as promessas as mais enfáticas. Paz, amor, saúde, prosperidade! Desejamos sinceramente a nós mesmos e àqueles a quem amamos; desejamos protocolarmente àqueles que convivemos pouco ou aos amigos virtuais que nunca encontramos na vida real, mas não deixam de serem votos verdadeiros. Oxalá todos pudessem ser verdadeiramente felizes e que todos os anseios direcionados fossem cumpridos à risca!

No entanto assim que o ano novo inicia e o clima de festas arrefece tudo volta a ser mais ou menos do mesmo jeito. Claro que há os determinados e cumpridores de suas promessas festeiras que iniciam dieta, jogam fora o último maço de cigarros, diminuem o doce e os gastos, voltam pra academia e tantas outras juras habituais, porém as essências comumente permanecem as mesmas. Passada a euforia dos fogos, os otimistas continuarão vendo o copo meio cheio e os pessimistas persistem em vê-lo meio vazio. Mudar dá trabalho e virar a mesa é culminância de um árduo e penoso processo interno. E, lógico que temos o passar do ano para isso, mudar na virada é apenas clichê (permaneço otimista, graças a Deus!).

Assim como as pessoas, permanecem as mesmas as notícias e programações de início de ano. Enchentes, desabrigados, tragédias anunciadas e nunca prevenidas. Desabamentos de encostas, mortes, sofrimentos, tristes reprises que não valem a pena ver de novo. Contas e mais contas, impostos nas alturas, queimas de estoques para aqueles que ainda podem gastar, praias lotadas com e sem arrastão, dicas de dietas saudáveis para o verão, minisséries e carnaval na TV e por aí vai. Mais do mesmo com uma ou outra pitada de novidade. 

Talvez o x da questão sejam as novidades. O que nos reserva o ano que se inicia? Há os que asseguram que anos pares são mais tranquilos e há aqueles que afirmam que anos bissextos são de mau agouro. Acho tudo bobagem, mas vamos focar na primeira opção! Otimismo, boas vibrações! Mas não um otimismo tolo e alienado de quem acredita em conto de fadas. Um otimismo que nos permita manter o equilíbrio e a esperança nas adversidades, que nos permita cultivar a coragem necessária pra enfrentar o que vier, que nos permita modificar o nosso olhar para a vida e conseguir tirar dela o melhor que cada momento pode oferecer, que nos permita continuar vendo o copo meio cheio e uma luz (mesmo que tênue) no fim do túnel!

E pra iniciar o ano com certo lirismo, deixo um poema:

Uma reza pra começar
Um pedido e um patuá
Que a vida seja leve
E a dor (inevitável)
Seja breve.
Oxalá!

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