As palavras convencem, os exemplos arrastam. Essa máxima deveria ser continuamente lembrada por aqueles que são referências para alguém ou para um conjunto de pessoas, seja no poder público, em instituições ou nas famílias. Falar é fácil, difícil é viver o que se fala. E, se a prática não corresponde ao discurso, o convencimento é parco e a credibilidade é nenhuma.
Nosso país está mergulhado numa crise sem precedentes. E não me refiro à crise econômica, que por si só já seria um problemão. Estamos vivendo uma crise moral, onde aqueles que deveriam zelar pelo bem comum, dão um show de desrespeito às leis vigentes no país, ignoram a constituição federal, aviltam a nossa inteligência e, enquanto aguardamos os rumos de nossa frágil justiça, seguimos à deriva perdidos num oceano de lama.
A situação em que chegamos é tão surreal que não temos pra onde correr. Todas as lideranças políticas nacionais, da situação e oposição, chafurdam no lamaçal fétido da corrupção deslavada. Deputados, Senadores, Presidente da República e Ex-Presidentes, Governadores e ex-governadores, Presidentes da Câmara e Senado, líderes de tudo quanto é partido político e pasmem, parlamentares membros de conselhos de ética! “Se gritar pega ladrão, não sobra um meu irmão!” (Bezerra da Silva era profeta?). Seria cômico, não fosse tão trágico!
Confesso que meu poder de indignação tem sido posto à prova todos os dias. Luto para não começar a banalizar esse festival de horrores a que estamos sendo submetidos e luto mais ainda para não cair na armadilha do relativismo, que vem tomando de assalto os simpatizantes desse ou daquele partido e também a mídia que serve a diversos senhores. Corrupção é crime! Crime penal, político, ético, moral e hediondo! E como tal deve ser punido exemplarmente, seja quem for, doa a quem doer, tenha a cor e o berço que tiver!
A dicotomia que tomou conta dos debates nas ruas e das discussões nas redes sociais só serve aos próprios corruptos. Enquanto o povo se divide e se esbofeteia, minimizam os crimes dos seus e batem panelas pelos crimes dos outros, eles se articulam pra que tudo acabe em uma grande e suculenta pizza, regada a sítios, tríplex, helicópteros, doleiros, aeroportos, merenda escolar, empreiteiras e muitos amigos camaradas.
Nesse circo, onde o papel de palhaços já nos foi dado, não há mocinhos, nem heróis, nem salvadores da pátria. Acusadores e acusados entram em cena por interesses muito bem articulados, tenhamos certeza disso! E tudo isso que estamos vendo e ouvindo nos últimos meses, temo ser apenas a ponta de um iceberg de inimaginável tamanho e poder de destruição. Oxalá eu esteja redondamente enganada!
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