Encantamento! É o que me move, sempre. Me deparar com algo ou alguém que me encante, me faz renovar as esperanças e acreditar que a vida vale a pena e funciona como mola propulsora para seguir em frente. Careço dessas doses de ânimo de vez em quando, e a vida sempre tem colocado em meu caminho esses mimos essenciais. Talvez o maior medo que tenho seja o de perder a capacidade de me encantar, deixar, mesmo sem querer, que o rolar da história embace a sensibilidade. A vida nem sempre segue o curso planejado, as pessoas com quem convivemos nem sempre são o que esperamos (ou idealizamos), nós mesmos estamos sempre mudando. Nada demais e acontece com todo mundo. A minha luta interna é não deixar que os desapontamentos e as tristezas do dia a dia construam em mim uma couraça de amargura. O olhar não pode nunca perder a brandura. “Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura”, já dizia Che.
E nada mais recomendado para aqueles que, como eu, se recusam a sucumbir à amargura do que a poesia. Não apenas a poesia dos livros, mas a poesia da vida. A linguagem da vida é poética, seja alegre ou triste. Tanto a dor quanto o amor são capazes de extrair a nossa essência. E quando algo nos causa desconforto ou uma profunda repulsa é porque feriu de morte essa linguagem. Educar o olhar e a alma para perceber essa poesia que existe em todo lugar talvez seja a única maneira de não deixarmos que a loucura do dia a dia nos roube a sensibilidade. Ler poesias é um bom exercício.
Pois bem, falando em encantamento e poesia, impossível não falar do livro ‘Que ninguém nos ouça’, escrito a quatro mãos pelas mineiras Leila Ferreira e Cris Guerra. Não é escrito em versos, mas é pura poesia. A terapia virtual entre as duas, numa troca de e-mails carregada de delicadezas e de verdades nas quais cabem todas as mulheres é de uma ternura ímpar. Me identifiquei e mais uma vez confirmei que somos todos feitos da mesma matéria-prima emocional. Não importa a vida que escolhemos levar, não importa onde ou como estamos, todos os sentimentos são absurdamente semelhantes e ao ler o livro me senti acolhida naquelas palavras. Recomendo para mulheres, e para homens que querem conhecer um pouco mais a alma feminina.
Num mundo cada vez mais cru, onde mulheres precisam levantar bandeiras para combater uma cultura do estupro, crime mais que hediondo e perverso, palavras doces e capazes de nos tocar é um bálsamo e uma alegria. Por mais poesia na vida a na alma, levanto a bandeira! #poesiaetododia

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