Tempo frio, noites que nos visitam antes mesmo da tarde terminar, clima de férias e de festa na igreja, com os alto-falantes da matriz tocando músicas religiosas chamando os fiéis para a missa. Essa combinação me transporta para meus tempos de infância. Vínhamos de BH nas férias de julho e ficávamos hospedados na casa azul. Fim de tarde, depois de muito andar e brincar, era hora de tomar banho no banheiro da horta, colocar uma roupa escolhida com cuidado e ir para a varanda ou para a praça ver o movimento das barraquinhas. O ritual se repetia todos os dias de festa da padroeira e nos finais de semana. Hoje, todas as vezes que passo por lá nos fins de tarde e o som da igreja está tocando, uma saudade me pega de assalto. Lembranças de um tempo feliz e azul.
“O que a memória ama fica eterno”, disse Adélia Prado e é verdade. Como é doce lembrar momentos ternos e felizes da vida, principalmente da infância e juventude, e reviver sentimentos e sensações que nos marcaram positivamente. Com o passar do tempo vamos nos apegando à antigas memórias, não necessariamente para nos entregar à nostalgia, mas para costurar a colcha de retalhos que é a nossa vida, onde os momentos são os recortes de diversos tecidos e as pessoas são as linhas que perpassam cada um dos quadrados coloridos. Já disseram que recordar é viver e bons sentimentos podem e devem ser visitados muitas e muitas vezes!
Acredito que todos os momentos que vivemos, bons ou ruins, são importantes para nos definir. Somos um mosaico das influências que sofremos e dos sentimentos que tivemos ao longo da vida. Mesmo que a memória falhe e não consigamos lembrar todos, eles estão lá, sustentando o que fazemos e justificando como agimos. Claro que podemos e devemos nos reprogramar com o decorrer da vida, modificar comportamentos, educar o olhar, refazer rotas e caminhos. Nada na vida precisa ser definitivo e estático, aliás, penso ser exatamente a inércia ou o comodismo a raiz dos maiores problemas. A partir do momento em que nos apoderamos de nossa existência, podemos escolher o que deixar e o que descartar. Parece fácil, não é. Parece simples, ledo engano. Mas é o caminho.
Às boas e ternas lembranças, um brinde! Todos as temos e devem ser guardadas em um lugar especial de nossa memória, para de vez em quando virem à tona e nos inundar de bons sentimentos, muitas vezes esquecidos e atropelados pelo correr dessa vida louca que levamos. Às não tão boas e doces, o lugar respeitoso do aprendizado. Como disse Martha Medeiros “Tudo o que eu fui prossegue em mim” e a vida segue carregada de memórias.

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