Dia desses, conversando com amigos queridos, falávamos sobre nossos ídolos e o que gostaríamos de fazer caso nos fosse dada a oportunidade de encontrá-los. Não um encontro distante, em que seríamos parte da plateia, mas um encontro mais informal onde pudéssemos merecer a sua atenção e tempo, conversar calmamente, trocar ideias, falar da vida enfim. Muitas vezes, aqueles a quem admiramos e que se tornam referências para nós, que nos tocam de alguma forma com o trabalho que realizam, que estão na mídia e são cultuados por uma enorme legião de fãs, nos parecem envoltos em uma aura de excelência tão grande que os vemos como entidades, longe demais de nós, muito além das trivialidades dos pobres mortais. Chegamos à conclusão ao final do papo que, cara a cara com um deles, muito provavelmente nos faltariam palavras.
Confesso que com a maioria daqueles a quem elejo como referências (não sou de idolatrias), que conquistam a minha admiração e cujos trabalhos me tocam a alma, me contento em ouvir suas músicas, assisti-los atuando ou ler os seus escritos. Mas... Claro que há exceções! Caso ainda estivessem por aqui, faria uma ginástica para conhecer Mário Quintana, Cora Coralina, Cecília Meireles, José Saramago. Minha mãe foi vizinha de muro de um irmão de Carlos Drummond em BH e morro de inveja quando penso nisso, cansou de vê-lo passar por lá! Adélia Prado, que foi professora de meu marido, tive a honra de conhecer rapidamente, trocar algumas palavras e um abraço acolhedor. Martha Medeiros está no topo da minha lista de desejos. Definitivamente o mundo das palavras me seduz mais que outros mundos!
E a primeira vez que me vi impelida a conhecer alguém desse universo mágico das letras, foi aos sete anos quando tinha em mãos o livro O Barquinho Amarelo, de Iêda Dias da Silva. Amava aquele livro e viajava em suas páginas quando descobri que ela, a autora, era de Carmo da Mata e amiga de meu pai. Do encontro em si não preservo muitas lembranças, mas o sentimento de assombro de ter encontrado apenas uma mulher, quando na minha cabeça de criança esperava um ser transcendental, eu nunca esqueci. A doce descoberta de que habitava o mesmo universo daquela que tanto admirava. Aquela percepção de que as palavras escritas nascem de sentimentos e vivências comuns a todos, e que, como espécie, compartilhamos as mesmas emoções e que no final das contas queremos o mesmo da vida.
Pois bem, já não sou criança há um bom tempo, mas revivi essa mesma sensação essa semana ao me encontrar com a jornalista e escritora Leila Ferreira. Há um bom tempo acompanho seu trabalho e me encanto com seus livros, que são fontes de grandes aprendizados, mesmo sem a pretensão de sê-lo. Ela escreve em prosa, mas seus textos são pura poesia, um presente à alma! Dona de um sorriso encantador e de um sotaque deliciosamente mineiro, Leila falou para uma plateia abduzida pela sua suavidade; há anos não via tanto silêncio. Nos encontramos minutos antes dela ministrar sua palestra, conversamos sobre a vida, sobre a situação do país, falei de minha admiração, a presenteei com um livro meu, pedi autógrafo, tiramos fotos e batemos papo como se fôssemos velhas conhecidas. Até que ela me fez uma pergunta que eu não pude responder por absoluta falta de conhecimento! Queria saber a cor do batom que eu usava, pois o dela saiu de linha e está à procura de um substituto. Querida Leila, respondo agora então: a cor é vinho canela, da Avon!
Comentários
Postar um comentário
Leitores, deixem seus comentários e impressões: