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Semear...




Como Rubens Alves, adoro ipês amarelos! Os brancos, roxos e rosas também são lindos, mas os amarelos são especiais. Talvez por serem tão efêmeros em sua beleza, me causem um maior encantamento. Adoro vê-los salpicando de cor os pastos secos e sedentos do mês de agosto. Quando suas flores caem, caem dançando, num lindo balé ao sabor da ventania. Duram pouco, talvez passem despercebidos aos olhares desatentos do mundo, mas quando agosto se anuncia, é por eles que espero ansiosa. São eles que colorem esse mês comprido e indeciso, com péssima fama, mas que carrega boas intenções (ao menos tem os ipês amarelos).

As boas novas já andam pelos campos, setembro chegou! É um mês acolhedor, alvissareiro, pura poesia. Tempo de cores, flores, profusão de vida pra todo lado. O vento recolhe suas asas e dá lugar as chuvas de fim de tarde que devolvem o ar limpo e leve. Adoro setembro! É um mês que tem ares de recomeço, de renovação, de luz. Saímos do casulo que o inverno nos impõe, trocamos o cinza pelo verde, as queimadas pelos brotos, melancolia por sorrisos, austeridade por descontração, agasalhos por vestidos floridos. Como não gosto dos extremos, ficaria feliz se tivéssemos apenas duas estações, outono e primavera. Meu ano seria de maios e setembros!

Mas como na vida, na natureza também não podemos escolher só o que nos agrada, mesmo porque seria difícil agradar a todos ao mesmo tempo. E enfrentar intempéries, aprender e sobreviver pode ser a nossa lição nessa jornada que chamamos de existência, vai saber, mas acredito que a ideia seja mais ou menos essa. Viver os ciclos da vida, aprender com as experiências, nos tornar mais atentos a nós mesmos e àqueles que nos rodeiam, refletir sobre o impacto que causamos na vida daqueles que convivem conosco, buscar a leveza, descomplicar, amansar o olhar, aquiescer e serenar. 

Que chegue a primavera e que floresça em nós coisas boas, coloridas e perfumadas. E que no decorrer de todas as estações possamos, a cada dia, em todas as circunstâncias, semear boas sementes!Oxalá!




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