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Sempre pode piorar...








‘Sempre pode piorar’, é título de um livro de Paul Watzlawick, importante psicólogo austríaco, radicado nos EUA e um dos precursores da Teoria da Comunicação. Não sei muita coisa a respeito, mas o título desse livro bem que poderia ser usado para traduzir a situação brasileira nos últimos tempos. Não sei se sou uma exceção, mas me sinto em uma aeronave desgovernada, na qual o comandante está em surto de ataxia, os tripulantes desesperados e o piloto automático desligado. O país vive uma grave crise convulsiva!

Entre a dicotomia que tomou conta de tudo, o bom senso tirou férias e vivemos quase um salvem-se quem puder. Se já andávamos trôpegos em direção a um horizonte imprevisível, o que se alardeou solução se mostrou um terreno movediço e tão nublado quanto. A situação e a oposição de ontem se transformaram em uma geleia geral, uma indefinição perigosa recheada de insegurança e interesses questionáveis. Só um ingrediente não mudou, a farra dos privilégios continua exatamente nos mesmos lugares, com os mesmos atores. O rio sempre corre pro mar!

Em uma crise econômica da dimensão dessa que estamos afundados até o pescoço, sacrifícios são necessários, fato. Em uma crise ética na qual a classe política brasileira está enlameada até a raiz dos cabelos, vergonha na cara e mudanças de atitude são os únicos antídotos. E, para que todos se sacrifiquem em prol da nação e o clima de austeridade seja compreendido e discutido, é urgente que os exemplos partam do alto da pirâmide. Imputar o amargor aos súditos e continuar com a absurda vida nababesca desfrutada sem o menor pudor é no mínimo asqueroso. Carecemos de bons exemplos!

Ainda vejo tudo com certa desconfiança. Minha fé não acha morada nem nos movimentos de protestos nem tampouco nos atuais donos do poder. Talvez esteja desesperançosa demais, mas me faltam convicções e a meu ver, sobram irracionalidades de ambos os lados. Ninguém me representa atualmente, vivo em busca de um oásis de lucidez no meio de tanto radicalismo, de uma gota de isenção nesse jogo político que nada acrescenta e de nada serve a um país há muito combalido pelo mau uso do dinheiro público e pela corrupção institucionalizada. 

Alimento a quimera de ver uma trégua na guerra pelo poder e uma aliança pelo país, de ver seriedade e o renascer de um ideal de nação, de ver justiça na distribuição do remédio necessário para sanar o mal. Que todos (sem exceções) paguem a parcela que lhe cabem, mas que a colheita seja também bem repartida. É preciso exercitar a utopia pra espantar a amargura!

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