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Adeus ano velho!







Chega ao fim 2016. Talvez para alguém, enclausurado numa ilha deserta ou nos confins do Nepal, esse tenha sido um ano como qualquer outro. Talvez para os narcisos de plantão que não enxergam mais que o próprio umbigo, tenha sido até um ano tranquilo. Mas acredito que para a maioria das pessoas com a mínima noção de que fazemos parte de um todo muito maior, o ano de 2016 foi uma avalanche de proporções ainda imensuráveis. Arrisco até a dizer que esse ano entra para a história, ao menos brasileira, como um divisor de águas. Se nos aguarda remanso ou tormenta, só o tempo dirá!

Muita coisa aconteceu aqui e mundo afora numa velocidade de tirar o fôlego. Coisas improváveis fizeram desse ano um festival de sustos, colocando a nossa capacidade de nos assombrar a prova. Guerras, ataques terroristas, manobras políticas de arrancar os cabelos, delações, prisões, crise política, crise humanitária, crise econômica, crise ética, crise histérica, impeachment, violência urbana, catástrofes naturais, cassações, acidente aéreo, zika vírus, eleições, olimpíadas, perdas de grandes ídolos, reformas maquiavélicas, queda de braço entre poderes, protestos legítimos e questionáveis, tiro pela culatra, etc, etc, etc. Definitivamente esse não foi um ano monótono, cada dia uma ‘bomba’!

Particularmente 2016 foi um ano imensamente triste, mas profundamente transformador. Vivi experiências de grande sofrimento e dor e a sensação que tenho hoje é de sobrevivência. A constatação de que é possível superar perdas e mudanças sem perder a ternura é libertadora e ressignifica a vida, e apesar de ter ganhado a companhia de uma saudade perene, que ora me machuca, ora me carrega, sigo cultivando esperanças e assim quero continuar.

Nessa virada não desejo apenas um ano melhor, mas sim ser melhor no ano que chega assim como desejo continuar aprendendo a viver a cada dia. A vida é um sopro, passa num piscar de olhos e quanto antes aprendemos a colocar as reais importâncias nos lugares devidos, melhor. Viver um dia de cada vez, sem atropelos, sem ansiedades tolas, é minha meta. “O que tem de ser tem muita força” disse Caio Fernando Abreu e acredito nisso. 

Desejo a todos nós em 2017, saúde, alegria e sabedoria. Que possamos estar com aqueles que nos fazem bem à alma, que olhemos com serenidade e seriedade para o mundo a nossa volta, que saibamos usar o tempo e a tecnologia ao nosso favor, que não economizemos gestos e palavras de amor, que não percamos a fé na humanidade, que saibamos respeitar as diferenças e os diferentes, que possamos conviver em harmonia e com o mínimo de civilidade, que não nos furtemos às responsabilidades que nos cabem, que exercitar a empatia seja uma meta, que plantemos algumas sementes do mundo que queremos e que cultivemos sonhos e gratidão sempre. 

Feliz vida!

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