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Inominável






Tenho acompanhado a avalanche de denúncias que abalam as estruturas políticas de nosso país e ainda não sei precisar o tipo de sentimento que me assola. Indignação é pouco, nojo, asco, e uma incômoda sensação de que ‘já sabia’ me causam um tipo de horror que ainda não consigo nominar. Leio e assisto compulsivamente tudo que a mídia divulga, e tenho procurado ao longo de todo esse tempo digerir as informações, filtrar as opiniões, separar o joio do trigo (se é que há), abstrair afirmações tendenciosas e organizar o meu pensamento diante de todo esse caos. Acesso várias fontes de informações para comparar as colocações e tentar buscar alguma isenção. Sou absolutamente contrária a qualquer tipo de relativização e descarto qualquer opinião que a faça. Sempre desconfiei de posições radicais, seja de qualquer lado. Roubo é roubo, corrupção é corrupção, crime é crime, seja vermelho, azul ou amarelo. Culê, culê, tudo é porco! Nessas alturas, quem começou o esquema, quem institucionalizou a farra, pouco importa, fato é que todo mundo nadou de braçada!

E agora diante da lama exposta, lama essa democrática e apartidária, o que será desse nosso país? Nossa recente e torta democracia há anos é espoliada sem dó nem piedade por empresários e políticos canalhas, numa sangria sem paralelo na história. Nem mesmo aqueles que carregavam a esperança de milhões de brasileiros e mais, carregavam uma história de luta por justiça social, foram capazes de resistir aos apelos do dinheiro fácil e farto. Não que o histórico pessoal aumente o crime, mas certamente desencanto pesa, machuca e causa desesperança, sentimento que julgo um dos mais cruéis! Ver os crimes daqueles sabidamente patifes descobertos e punidos nos traz uma sensação de alegria, mas descobrir que fomos traídos por quem julgávamos merecedores de nossa confiança, só traz uma profunda e cortante amargura.

Pois bem, depois que tudo foi jogado no ventilador, e catam-se os cacos de partidos e instituições, o que fazemos? Sim, temos que fazer alguma coisa, pois, apesar de estarmos vivendo um festival de bombas em que tudo pode acontecer, inclusive nada, no próximo ano teremos eleições gerais e todas as manobras serão tentadas para salvar a pele do máximo de raposas congressistas que puderem. Pra se safarem da justiça e manterem o malfadado foro privilegiado, que é um salvo conduto aos assaltantes da nação, eles vendem a alma ao diabo! Confesso que não sei o que aguardar, apesar de esperar as ações mais vis dessa corja engravatada, nunca vi tanta gente ‘inocente’ e ‘injustiçada’ como nos últimos tempos. As declarações das defesas de uma lista de mais de duas centenas de parlamentares e governantes delatados são uníssonas e não cansam de repetir as mesmas falácias; não conheço, não vi, todas as contas de campanha foram aprovadas. Quem sobrará de pé e com nome limpo? Algum palpite?

Não tenho nenhum palpite. Contrariando minha natureza, ando pessimista até os ossos e cansada de ser ludibriada. Mas pro próximo ano qualquer citado, investigado, réu ou o escambau, não verá a cor do meu voto! Fica a dica!



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