“Manter os olhos abertos para além do previsível, e a alma preparada”, sábias palavras de uma de minhas escritoras prediletas Martha Medeiros, que passaram pela minha timeline e resumem o meu atual status. Falo e escrevo sempre, talvez num exercício de autoconvencimento, que tudo pode acontecer a qualquer um, a qualquer momento, e nós como bons escoteiros, devemos estar sempre alertas!
Alertas para resolvermos problemas inesperados, para enfrentarmos perdas repentinas, para mudanças de toda a ordem, para entendermos que fazemos parte da massa e não estamos a salvo de nada. E também alertas para vermos as boas surpresas que a vida nos oferece, pra percebermos as pessoas especiais que cruzam nosso caminho, pra intuirmos que estamos nos aproximando de nossos sonhos, pra colhermos os frutos de nossa semeadura.
A vida voa e num piscar de olhos já não somos os jovens de sempre. Como temos dificuldades em abandonar a juventude, não? Ao menos eu tive. Quando somos jovens a vida é infinita, o tempo é largo e as vontades muitas. Cultivamos a ilusão de que a vida vai estar lá nos esperando realizar tudo que queremos, podemos deixar pra depois. Mas depois aprendemos que não é bem assim, nem sempre ela nos espera, nem sempre o caminho pensado é possível, nem sempre fazemos escolhas corretas.
Lembro de ter escrito textos quando tinha trinta e quarenta anos. São idades que nos causam mudanças profundas, amadurecemos, perdemos um pouco a tola ilusão e ganhamos em senso de realidade, em gratidão com a vida. Mas ainda temos o tempo como aliado. Ao bater na porta dos cinquenta outra revolução se apresenta. Me vejo hoje com uma urgência até então desconhecida, não uma urgência em colher, em ter, mas uma pressa de realizar, de continuar plantando mesmo que não esteja aqui pra alcançar os frutos.
Aos cinquenta anos conquistamos algumas benesses além de experiência. Uma percepção límpida que acabou o ensaio e não dá pra empurrar as coisas pra depois. Uma certeza racional (mesmo que a emoção não acompanhe sempre!) de que temos que tomar consciência do que temos e sermos felizes com isso, o que vier a mais é lucro! Uma liberdade e uma necessidade de mostrar o que realmente somos, as opiniões alheias viram meros detalhes que podem ser ignorados sem problemas ou (se valer muito a pena) questionados sem expectativas.
Aliás, talvez o que mude realmente sejam as expectativas em relação ao outro. Podemos ficar em paz com aquilo que fazemos ou ao menos tentamos. Cada um dá o que tem e autoconhecimento não pode ser imposto. A única seara que nos cabe transformar é a nossa, o máximo que está ao nosso alcance é inspirar, servir de exemplo e colocar nossa experiência à disposição dos que queiram saber. Passamos da fase de querer adequar o mundo e todo mundo ao nosso formato, não somos os donos da verdade! Libertação!
E libertados que estamos desse peso, sobra mais tempo e energia pra nos dedicarmos àquilo e aqueles que nos aquecem a alma. A busca pela leveza, pelo caminho do meio, pelo equilíbrio, pelo conhecimento transformador, pelo sentido real da vida talvez defina esse meu momento em que chego a meio século de história, mas que está longe de ser um ponto de chegada! É ponto de partida sempre, mas com vantagens! Sempre alerta, com a alma preparada e disposta a fazer dessa existência alguma diferença nesse mundo!

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