Dia desses almoçando com uma velha amiga e colocando um papo, há mais de trinta anos atrasado, em dia, conversávamos entre outros assuntos, da atual situação brasileira e mundial e o quanto tudo mudou desde que éramos apenas duas colegiais, terminando o ensino fundamental (1°grau naqueles tempos). Desde o início dos anos 80 pra cá, o mundo passou por drásticas transformações tecnológicas, políticas, geográficas e conceituais. Isso é notório e para aqueles que não viveram aqueles tempos, basta uma passeada pelo Google pra entender um pouco do que eu estou falando. Anos 80? Outra vida!
Nesse encontro, falamos de nossos filhos e suas perspectivas de vida, do passado e do presente e dividimos a mesma angústia diante de um futuro incerto e absolutamente imprevisível do ponto de vista planetário. Em contraponto conversamos sobre nossas vidas durante todo esse tempo em que nos perdemos de vista e sobre os caminhos que nos reaproximou e nos colocou frente a frente no tempo futuro daquelas garotas de outrora. Sensação muito louca essa, somos hoje o futuro de quem éramos há mais de trinta anos, nos bancos da escola. Alguns sonhos realizados, outros modificados, outros ainda esquecidos lá mesmo, no ano de 1981, e muitas surpresas, caminhos que foram presentes da vida, problemas, tristezas e atalhos. Chegamos à conclusão que nosso futuro foi generoso conosco!
Mas voltando às mudanças sofridas durante todo esse tempo, talvez a mais drástica e definitiva seja o abismo que se instalou entre a nossa geração (habitantes da Terra nascidos no início da segunda metade do século passado, ou antes) e a geração X, Y, Z. Li alguns livros e artigos que tratam desse tema e cheguei à conclusão que não há elos, exceto os genéticos e afetivos, entre nós. Fazemos parte de civilizações distintas. As referências de nossa juventude e infância não dizem muito para nossos filhos. As nossas experiências e vivências não calham neles como exemplos, pois tudo se modificou tanto que não há simbolismo capaz de trazer sentido a eles. Vivemos uma ruptura. Um salto evolutivo talvez. Acredito que os filhos dessa nova geração digital serão os primeiros a reconstruir esse elo perdido e reconhecerão em seus pais, vivências e experiências atávicas passíveis de serem seguidas.
O tempo, o caminho da humanidade e seus saltos radicais. Imagino que viveram semelhante sensação os pais dos tempos da Revolução Industrial, ou ainda mais remotamente, os pais dos tempos da primeira e mais transformadora das revoluções sociais humanas, a Revolução Agrícola. Fico imaginando o que virá pela frente! E vamos nos adaptando, pois se eles não compreendem o mundo em que nascemos, ao menos nós precisamos compreender o deles se quisermos manter o mínimo de conexão e refazermos o elo perdido.

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