Pular para o conteúdo principal

E agora! Quem poderá nos defender?







Quem não sonhou, em criança, com super-heróis que salvariam o planeta e nos salvariam das situações difíceis? Super poderes capazes de tudo, invisibilidade, força sobrenatural, capacidade de voar e tantos outros que povoam as personagens e o imaginário das crianças e, por que não, dos adultos também! Esse universo de fantasia nos fascina. Aqueles que realizam coisas muito difíceis ou até mesmo impossíveis aos nossos olhos comuns também recebem o título de heróis. Heróis nacionais, heróis de guerra, heróis anônimos que encontramos vez ou outra pelas ruas e pela mídia, como a professora Heley que perdeu a vida para salvar seus alunos do lunático que ateou fogo na escola.

Tive meus heróis preferidos na infância, mulher maravilha, o homem de seis milhões de dólares, a mulher biônica, etc. Num mundo mais real, Gandhi, Mather Luther King e Nelson Mandela povoaram meus sonhos adolescentes megalomaníacos de salvar o mundo, pela incrível capacidade de doar a vida em prol de uma causa humanitária. Pensei até em ser missionária e ir pra África combater a fome. Esses são heróis, inequivocamente. Paralelamente, considerava também um herói Ayrton Sena, alguém que elevava o nome de nosso país e movia paixões nacionais. Em meu imaginário, heróis faziam coisas incomuns, quebravam regras, rompiam com o sistema. Hoje, menos romântica, não os colocaria num mesmo pacote.

Fato é que carecemos de heróis. Alguém que nos inspire e nos dê bons exemplos, que aja com retidão, que seja coerente, que não caia em tentação, que salve ao menos a nossa esperança. Não precisa voar, nem se tele transportar, mas que esteja onde é preciso, realizando o que for necessário. Trazendo o assunto para nosso cenário nacional, talvez essa necessidade justifique as paixões desmedidas na defesa desse ou daquele por aí. A carência é tanta que somos condescendentes com seus erros, minimizando os deslizes, exacerbando os feitos, ignorando o contexto. Sim, falo principalmente do ex-presidente Lula, que carrega muitos méritos, mas quem a sede de poder não permitiu sequer que ele se acomodasse no glorioso papel de Presidente do Povo, que tirou o país do mapa da fome e da miséria, democratizou o consumo e o acesso às universidades. Não fez sucessores nesses quesitos, visto que o partido não tem outro nome e insiste no revive de um tempo que passou. 

As eleições desse ano prometem grandes emoções. Nem vou falar das decepções, pois a elas já estamos acostumados, acho até que já esperamos por elas. Mais do mesmo, candidatos “outsides” pra todo gosto (de juízes a apresentadores de TV), louco varrido homofóbico misógino xenofóbico racista, collorido o retorno, neoliberais e pato da FIESP, fiéis defensores da elite econômica brasileira e muito mais! O debate será animado! Que estejamos preparados para o circo de horrores que nos aguarda! Espero que tudo que está rolando tenha feito algum efeito sobre o eleitor brasileiro e que a capacidade de análise seja maior que o poder do marketing eleitoral, capaz de travestir canalhas em salvadores da pátria! Ah, os heróis? Acho que podemos procurar em outras paragens.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...