Uma miscelânea de ideologias e uma fragilidade do estado de direito nos ronda nessas eleições gerais. Ideologia ‘no senso comum é tido como algo ideal, que contém um conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas ou visões de mundo de um indivíduo ou de determinado grupo, orientado para suas ações sociais e políticas.’ Feliz de quem tem uma, e a defende com argumentos fundamentados e consistentes. Infeliz de quem segue o bando, se fundamenta em postagens de rede social e não tem a menor ideia do que está falando e compartilhando.
Num clima de ódio e intolerância, numa divisão agressiva e violenta, onde o que menos importa é o debate de ideias, as paixões suplantam a razão e o resultado pode ser desastroso. Confesso que não ando tranquila com a situação que vivemos. Nosso país comemora esse ano, 30 anos de existência da Constituição Federal de 1988, Constituição esta que redemocratizou o país e norteou os caminhos que acostumamos a viver. Ainda não vivemos uma democracia ideal, temos um imenso universo de problemas de toda ordem, mas, acreditem, sem essa democracia possível, tudo seria bem pior.
Somos um povo que não cultiva a memória, a fim de aprender com os erros do passado. Nos falta interesse por saber, de fato, a história recente de nossa nação. Somos comodistas. Queremos democracia, bradamos por ela nas ruas de quando em vez, mas tudo muito raso. Saber de fato, conhecer detalhes, ouvir todos os lados, isso dá trabalho, e somos preguiçosos. Preferimos seguir uns e outros que se autodeclaram sabedores. Nem sempre o são.
Analiso essa eleição com um grande diferencial sobre as outras anteriores, mesmo a de 2014 que tão polêmica foi. Nos distanciamos da redemocratização, que foi uma época de unicidade do país. Nos acostumamos aos direitos conquistados e a grande maioria das pessoas não tem noção do que é viver sem liberdades constitucionais e acreditam, ingenuamente, que nada pode mudar isso. A despeito de todas as mazelas que temos enfrentado nos últimos anos, nada pode ser pior do que perder o que foi conquistado à duras penas.
Vivemos hoje num país sem identidade política, sem senso de coletivo, sem líderes confiáveis, sem partidos políticos sólidos e retos. Toda campanha eleitoral ainda é baseada em retóricas vazias e demagogias baratas e repetidas. Política virou meio de vida e os ‘profissionais’ não prezam pela sociedade que os elegem. Mas, mesmo nesse triste cenário, é preciso escolher alguém que faça coro ao desejo de um país mais justo que, mesmo que por vias equivocadas, eu creio ser um ponto em comum entre nós cidadãos.
É preciso refletir, pensar, ler, estudar se for preciso. Precisamos olhar o processo eleitoral com a seriedade que ele impõe. As consequências são democráticas, todos pagaremos pela escolha da maioria e o preço pode ser bem salgado. Deixemos o oba oba pro carnaval, a hora é crítica.
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