Sento na poltrona que gosto
Pra apreciar o frio que chega
Frio de outono, mansinho.
Barulhos da rua me acolhem
Me acalmam os ouvidos
Ávidos por sons familiares.
Silêncios da alma me encolhem
Estrangulam o nó na garganta
Que ainda não chorei inteiro.
Ainda me faltam pedaços
Arrancados sem cuidado
Sem zelo pelo que foi.
Triste sina de um amor
Que não soube viver sem gaiolas!
No outono as folhas caem, secas
Deixo as minhas pelo caminho
Antevendo o inverno sombrio.
Deixo-me podar os galhos
Árvore ensimesmada me torno,mas
Sou semente, latente, repleta de vida contida
Brotar é questão de tempo
E de terra fértil, que cabe só a mim adubar
E revolver, e limpar de mágoas e tristezas profundas
A busca pelo sentido de tudo
Me mantém forte e altiva
Tenho raízes profundas,
Me reconheço, me faço
Por hoje, me basto!

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