De todos os gêneros literários, o que melhor me acolhe hoje é a poesia. E a poesia não se resume a versos. Pode estar contida em prosa, em notas musicais, em gestos, no vento, e em tudo que for inspirador. Poesia é olhar e ver beleza no mundo das coisas, das pessoas, dos bichos. Poesia é um estado de espírito, é salvo conduto pra esses tempos sombrios, é arco-íris em céu de tempestades. Na poesia tudo se ajeita e faz sentido.
Rubem Alves dizia que a função da poesia é recuperar os pedaços perdidos de nós. Concordo e ando encontrando alguns pedaços meus que o rolar da história escondeu. E através dos versos que leio e rabisco, vou me buscando, encontrando respostas e colhendo presentes da vida.
Mas a poesia carrega sutilezas que nem todos conseguem perceber. O mundo anda muito pragmático, sem lugar para palavras cuja função é apenas encantar. Por mais que saibamos que o encantamento é capaz de transformar, a poesia ainda não é escolha de muitos. Uma pena, mas é o que temos pra hoje.
E isso ficou muito concreto pra mim essa semana. Fui a uma livraria, dessas megastores com montanhas de livros pra todo lado, e dentre alguns títulos que me interessavam indaguei sobre a seção de poesia da loja. A atendente olhou ao redor e me indicou: penúltima estante, terceira prateleira, na direção do joelho da moça de azul que está ali. Confesso que me bateu uma tristeza e até certa indignação. Um mar de livros e aos poetas foi concedido aproximadamente um metro de espaço. No mínimo injusto!
O mercado editorial não aposta nos poetas. Não vendem, eles dizem. Nem mesmo os aclamados e clássicos poetas nacionais estavam representados ali naquele exíguo ambiente. Nada de Drummond, Adélia Prado, Manuel Bandeira. Um ou dois títulos de Quintana, Manoel de Barros, Cecília Meirelles. Leminski e Ana Cristina César nem rastro. Caio Fernando Abreu também não constava. Alguns poucos autores contemporâneos e ponto final.
Sou poeta, com alegria e gratidão. A poesia me mostrou um lado da vida que por muitos anos desconheci. Um lado doce, luminoso e profundo. Poesia sintetiza as diferentes emoções da vida em palavras e nos mostra que até a dor e a tristeza tem sua beleza. Pode ser lírica, romântica, distópica e combativa, mas será sempre libertadora! E quando o outro se encontra em seus versos, a mágica se completa.
A poesia resiste e insiste. “Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira”, poetizou o mestre Manoel de Barros e que ouso parafrasear; há muitas maneiras lindas de se dizer tudo, mas só a poesia é verdadeira. Poesia salva! Acredite e experimente!

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