Pular para o conteúdo principal

Entre príncipes, princesas e sapos







No mês de novembro completaremos 130 anos de república tupiniquim. Concordo que com esse tempo todo, já devíamos ter aprendido o que não fazer, porém não é sobre a atual República brasileira que trata este texto. Venho falar de Monarquia, e também não falaremos de príncipes encantados nem conto de fadas, o mote de hoje é sobre os Orleans e Bragança, conhecem?

Essa semana um amigo postou em sua rede social, a publicação de uma página dedicada ao movimento pró-monarquia no Brasil. O post comemorava com palavras dignas da realeza o aniversário de uma senhora muito elegante denominada Sua Alteza Real Princesa Dona Fulana de Orleans e Bragança, esposa de Dom Sicrano de tal de Orleans e Bragança, terceiro na linha de sucessão da coroa brasileira. No mínimo cheirava à naftalina, com todo o respeito que a história brasileira merece.

Curiosa que sou, corri até a página pra bisbilhotar aquela maluquice e fiquei sabendo que há no Brasil gente de verdade (ou robôs, né?) que bate palma e reverência pra esse movimento. Bastante gente inclusive. No plebiscito de 1993 quase 7 milhões de eleitores pediram por monarquia. Não me contive e fiz um comentário perguntando se aquilo era sério mesmo. Não gostaram e me bloquearam. Intolerantes e mal-humorados esses descendentes de D. Pedro II, não? Ele, D. Pedro II, tem minha admiração. Era um cara legal, culto e visionário.

Pois bem, dei um Google e soube que a atual família real brasileira vive, em sua grande maioria, no estado do Rio de Janeiro, entre a capital, Petrópolis e Vassouras. Uma parte da família administra a Companhia Imobiliária de Petrópolis que recebe uma taxa de 2,5% de toda transação imobiliária no centro histórico do município. Pelas pesquisas que fiz, são pessoas comuns e vivem vidas comuns, tem trabalhos comuns, são muito conservadores, possuem nomes imensos e ainda sonham em desfrutar, em terras brasileiras, das pompas e circunstâncias da corte.

E para alimentar essa utopia retrô, eles contam com uma ONG chamada Casa Imperial do Brasil, onde promovem encontros e debates, posam para fotos devidamente paramentados e condecorados e cultuam a constituição de 1824 que garantiria a sucessão, tudo isso sob a bandeira Monárquica. E o melhor da maluquice, os dois ramos da família (de Petrópolis e de Vassouras) mantém uma disputa há décadas para deter o título dinástico legítimo. Um grande devaneio coletivo que agrega adeptos Brasil afora! 

Diante das últimas notícias vindas de Brasília, tristes e perversas, num claro modelo patrimonialista de governo, onde o público e o privado estão juntos e misturados e os palácios só abrigam bruxos, sapos e bobos da corte, talvez ficasse mais barato sustentar as cafonices e idiossincrasias de uma família imperial.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Quem somos nós?

  O que te move na vida? O que faz com que você se levante todos os dias? Trabalho? Família? Sonhos? Muitas vezes me pego pensando sobre o sentido de existir. Aliás, esse pensamento é uma de minhas obsessões e hoje me deparei com um poema da autora Michaela Schmaedel, que me trouxe novamente essa reflexão “ Tem de ter algo/mais nessa vida/do que trabalhar/doze horas por dia/depois sentar-se no/beiral do abismo e/descansar do cansaço extremo ”. Estamos inseridos em um tempo no qual valemos pelo que produzimos. Somos identificados pela nossa atividade profissional. Em qualquer espaço que precisamos nos apresentar, falamos nosso nome e o que fazemos para pagar os boletos. No mundo capitalista só existimos se contribuímos para a máquina de moer gente funcionar e à medida que diminuímos nossa produção, estaremos prontos para o descarte. Se somente a produção importa, quem somos nós para além de nossas atividades profissionais? O que sobra de cada um de nós quando não podemos mais ...

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”

Outro dia me deparei com essa frase de Freud: ‘Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?’, e esta me atingiu feito um raio e me fez pensar e refletir sobre a mania que temos de nos queixar apenas. De tudo e de todos. Em casa, no trabalho, no lazer. Jogamos ao vento clamores e queixumes, muitas vezes tolos, e nos apiedamos de nós mesmos, pagando de vítimas indefesas, não raro, de nossas próprias escolhas. Reclamar é mais fácil que tomar a decisão de mudar o que nos incomoda. Que atire a primeira pedra quem nunca se comportou assim! Eu não ouso. Se olharmos bem lá no fundo, excetuando-se catástrofes naturais ou acasos trágicos, todas as desordens que vivemos são apenas consequências daquilo que fizemos antes, conscientes ou nem tanto, esperando ou não esses resultados. “A toda ação corresponde uma reação de igual (ou maior) intensidade e sentido contrário”, Terceira lei de Newton, lembra? Pois bem, a vida segue essa e outras leis e estamos todos a mercê d...

Exaustos

    A vida segue, sempre segue. Trôpega, caótica, inundada de notícias aterrorizantes e atitudes questionáveis, para dizer o mínimo. Mas também segue criando e cultivando bálsamos para amenizar a dor que assola a todos, oxalá. Sim, essa dor é de todos nós, seres humanos viventes nesses tempos estranhos, dentro do planeta Terra. Ou deveria ser. Aqueles que não se sentem pertencentes ao momento estão enquadrados nas atitudes questionáveis citada acima. Estamos cansados, exaustos. Outro dia ouvi de um especialista que o nome disso é fadiga pandêmica e que está descrito nos anais da ciência. Muitas vezes sentimos que estamos sozinhos nesse sentimento, mas não, podemos sossegar, formamos uma multidão de exaustos, tristes, ansiosos, depressivos. Tantas companhias se não nos consola, pode nos amparar. Como diz um amigo querido, viver um momento histórico não é fácil. E falando em momento histórico, sempre digo que a humanidade dá três passos pra frente e dois pra trás. Fato. So...