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Palavras curam!






 

A palavra cura! Cura a alma e o corpo. Falar é terapêutico e escrever é mais que isso. Quando conseguimos colocar no papel, de forma inteligível e coerente, o que vai por dentro de nós, um renascimento acontece. Já disse e reitero que muitas das vezes, a escrita vem antes da consciência do sentimento. É uma catarse, onde as palavras se apresentam como mágica e dão forma às emoções explícitas e também àquelas que se mantinham sob a sombra, sejam por quais motivos forem.   

Quando eu era adolescente, tinha um caderninho de poemas e pensamentos. Quem nunca? Lembro-me dele, da capa coberta por papel de presente cheia de adesivos colados.  Não sei quando o perdi. Talvez nas mudanças de casa, talvez nas mudanças de vida. O fato é que nunca mais o achei e dele me esqueci por muitos e muitos anos. Por mais tempo que gostaria, vesti a capa da mulher pragmática e toquei a vida, acreditando não ter tempo nem paciência para sentimentalismos. 

Até que me caiu às mãos um livro de poesia. Adélia Prado, Bagagem. Já sabia dele, já tinha passado os olhos, entretanto a leitura naquele momento foi intensamente transformadora. Naqueles versos eu me encontrei e enxerguei uma beleza e uma emoção até então desconhecidas. Me encantei e não parei mais. Vieram outros poetas, outras emoções, todas diferentes e tão intensas, e tão necessárias e tão vitais. A poesia me salvou de mim!

E foram tantos poemas lidos e que me tocaram tão profundamente, que apenas ler não bastou. Os poemas começaram a brotar em mim, tão ferozmente que a única coisa possível a fazer era escrevê-los. Sem nenhuma pretensão, fui colecionando essas palavras, guardando aquele mosaico de emoções que me permitiram um autoconhecimento e uma apropriação de minha essência que por muitos anos ficou sob a poeira de uma praticidade preventiva.

Desde então, resgatei meu caderninho de poemas. Não de fato, pois aquele se perdeu no tempo. Me reencontrei com a minha sensibilidade guardada a sete chaves e abri o coração para a poesia das letras e da vida. Foi um divisor de águas, uma transformação tão intensa e contínua, um sentimento de pertencimento tão gigante, que todo o olhar para a vida, para as escolhas, para o futuro, mudou junto. Foi um processo longo, uma década daquela leitura de Adélia!

Hoje sou poeta, me sinto poeta. E sou imensamente grata à poesia pelos diversos e especiais encontros que ela me proporcionou nesse caminho, encontros com palavras e emoções, com a arte em todas as suas manifestações, com o conhecimento, com pessoas muito especiais. Como diz o poeta e ensaísta T. S. Eliot, “A poesia é o veículo do sentimento” e acredito que bons sentimentos se atraem. 

Em breve lanço mais um livro. Dessa vez, poesia e prosa vão andar juntas. Hoje recebi os exemplares de uma antologia linda de poesia feminina que participei. Nessas obras está a minha alma, a minha esperança, a minha essência. A cada poema que escrevo ou a cada texto como esse, vou ficando mais leve. As palavras não me pertencem mais, são sementes lançadas. Semeando sonhos, aqui e ali, colhemos poesia!

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