Me contradigo e escrevo esse poema longo!
Logo eu que falei aos quatro ventos
E até publiquei num livro
Que à eles não me afeiçoava.
Liga não!
Sou dona de me metamorfosear
Por vezes nem eu me reconheço
E ponho pra fora o que estava escondido
Nos casulos de minha existência.
Como pode?
Como pode a gente não se saber por inteiro?
Mas tem uma explicação
Não que precise,
Pois aprendi que nem tudo pode ser elucidado pela razão
Mas.... Ando navegando para dentro
E lá tem palavras em demasia
Que guardadas ficaram
Deslembradas do meu zelo.
Sim, sou um tanto bagunçada
Por mais que eu tente, e juro que tento,
Sempre me perco na organização das coisas do mundo
De dentro e de fora.
Sabe...
Fui por muito tempo fogo brando
Brasa sem chama, esperando sopro
Preparando devagar uma refeição.
Mas sempre chega a hora que tudo fica pronto
e só nos resta servir, se boa ou ruim.
As represas se romperam
I r r e v e r s i v e l m e n t e
Não há como retornar a água que jorra aos borbotões
Ganhou vida própria e nem tento domá-la.
Segue fazendo caminhos, conexões,
Inundando, afogando dores, e
Restaurando cores.
Melhor assim...
Escoam tudo em palavras
Me esvazio de mim,
Aparto do trigo que me faz
O joio que se insinua.
Ganho em verdade e leveza
Qualquer dia eu voo, alada de versos!

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