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Canção do desassossego







Desassossego é meu nome,
Quero o mundo que ainda dorme
Dentro das minhas entranhas.
Quero sem medo de querer
Voo sem medo de cair
E, se cair, aprendi a me levantar.
Não sem chorar, não sem doer
Mas... o que vale a vida sem sentir?
Sentir o riso e o pranto
A dor que arde no peito, e
A alegria que mal cabe na alma?
Sem isso, o que sobra então?
Sentir sem poréns, sem entretantos,
Sem qualquer senão ou engano
Sentir e ser, ser e sentir!
A essência que me mantém
E da qual já não me aparto,
Por nada nem por ninguém.
Tão básico isso, tão pouco até!
Do que mais carecemos para ser?
Quero horizonte largo, infinito
Nem que seja na próxima esquina.
Não é questão de geografia,
Amplidão a gente precisa é na alma!
Quero o espanto perene, aliás
O que quero, na verdade,
É a eterna capacidade de me abismar!
Assombros com tudo que vibra,
Que importa, que pulsa, que ama!
Tudo, palpável ou intangível, que vive.
Quem quiser que me acompanhe,
Nessas desimportâncias vitais
E pequenezas gigantes
Das quais uma história se faz.


 


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