Fazendo uma arrumação em meus arquivos de textos antigos, encontrei um artigo que fiz em 2006, quando da epidemia de gripe aviária, que fez o mundo temer uma avassaladora pandemia gripal. Ela chegou, com outro nome, com sintomas um pouco diferentes, mas igualmente temerária e letal. Publico aqui o texto achado. Como um exercício de memória, pra não esquecermos que outras ameaças virão, como sempre vieram, e que precisamos, de fato, revermos nosso papel no planeta.
Alerta Geral! A gripe vem aí! Uma tragédia de dimensões planetárias, já tem data marcada para acontecer! E a nós, vítimas em potencial, resta apenas esperar pelo inexorável!
Talvez possamos tirar algumas lições desta tragédia anunciada: o homem, apesar de todas as tecnologias que inventou, é impotente diante da força do acaso e das artimanhas da natureza. Basta que dois vírus, duas partículas inanimadas, passíveis de manipulação e subjugada pela nossa prepotência, se encontrem e troquem material genético para que 50 milhões de vidas caiam como num jogo de dominó, diante de médicos, cientistas e governantes boquiabertos e paralisados.
Será que não é o momento de entendermos que apesar de racionais (ou não?), somos apenas mais um elo nessa corrente que sustenta o planeta? Que depois de séculos de exploração, manipulação e parasitismo, nos vemos a mercê das conseqüências imprevisíveis de nossos atos? Que diante da fúria da natureza ou da virulência de um vírus, nossa racionalidade é de muito pouca valia?
Talvez seja necessário mais um cataclismo desses para que o Homem se entenda tão vulnerável quanto qualquer outro ser. Talvez precisemos sofrer tantas perdas para deixarmos de nos matar por intolerâncias, dinheiro, poder e outros estúpidos motivos. Talvez, para os resignados ou absolutamente crentes, esta seja mais uma tentativa de Deus de acordar seus filhos, presos em suas mesquinharias, para o que realmente importa; ou quem sabe, para os radicalmente céticos, seja apenas uma etapa natural e necessária no caminho da evolução humana. Talvez ainda tenhamos que morrer de gripe, para aprendermos que por mais que saibamos, continuamos infinitamente ignorantes e frágeis e que do alto de nossa grandiosidade, somos vítimas indefesas do vírus Influenza H5N1.
2006
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