Estava na varanda de casa, olhando a rua e pensando na vida, quando passou pela minha porta alguns balões de aniversário. Sim, o vento levava alguns balões rua acima, como se passeassem displicentemente pela tarde fresca e nublada. Junto a eles e bem curioso, ia um cachorro. Minha cachorrinha também ficou instigada, não sei se pelos balões coloridos ou pelo colega de rua.
De onde vieram os alegres enfeites? Fugiram de casa pra respirar, como todos nós gostaríamos de fazer? Resolveram seguir o vento que tocava rumo ao sul, mesmo sabendo improvável a volta pra casa? Perambulavam pelas portas das casas, pra levar um pouco de cor e espanto!?
Balões são criaturas cheias de ar. Alguém os soprou até chegarem ao máximo de sua elasticidade. De quais pulmões aqueles balões carregam o ar que lhes dão vida? Aposto que nessa matéria gasosa têm resquícios celulares, um DNA desavisado que acusa a autoria do sopro. Nada fica escondido. Sempre ficam pistas! Todos nós deixamos marcas o tempo todo.
Mas ora!! Quem lá vai querer saber de balões que passeiam na rua sem dono?? Quem o soprou que lhes amarrasse no espaldar da cadeira, ou numa pedra do quintal, ou em um prego na parede. Invejei a liberdade que me despertaram!
O tempo virou. Acho que vai chover. Minha cachorrinha se abrigou em meu colo e adormeceu. O cachorro de rua voltou e virou a esquina. Os balões seguiram caminho. Se foram com o vento fadados a virarem látex murchos ou retalhos caso encontrem muitos espinhos na estrada. São livres! E sem dono! Nada disso mais importa! Entro em casa e sigo a vida. Os balões agora são parte dela!
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