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Você sabe com quem está falando?


                       


Você sabe com quem está falando? Já ouviram algum cidadão falando isso em alguma situação? Eu já e não foi somente na TV. Patético, ridículo e lamentavelmente comum. Por aqui, no Brasil, em nossa sociedade aristocrática e escravocrata em essência, vira e mexe temos notícias dessas infames carteiradas. Os protagonistas de tais cenas são sempre os ‘cidadãos de bem’ que pensam ter o rei na barriga. Que se autodeclaram acima do bem e do mal e ungidos por uma benesse divina de poder descumprir a lei impunemente. Ávidos por seus direitos e péssimos em cumprir deveres. Isso lhe soa familiar? A velha e caquética política das regalias que está contida em tantos meandros da nossa empoeirada sociedade.

Nessa tormenta que atravessamos, na qual todos estamos tentando sobreviver e manter a sanidade em meio a tantas tristezas e despautérios, ainda temos que assistir a esses seres incapazes do mínimo de empatia e civilidade. E os últimos episódios de carteiradas que viralizaram nos meios de comunicação, os indivíduos indignados brigavam pelo direito de não cumprir os decretos que obrigam o uso de máscara em via pública. Ou seja, querem ganhar no grito o direito de colocar a saúde dos outros em risco. Me poupem de tanta idiotia. É assustador e abjeto.

Infelizmente atos como estes mostram como ainda funcionamos como nação. Muitos vão dizer, eu não faço isso!! Claro, não podemos generalizar, mas o comportamento e o modus operandi do cidadão médio do Brasil, em maior ou menor grau, está escancarado nesses tristes episódios. O que despertou em você aquelas cenas? Aliás o que tem despertado em você tudo que estamos assistindo atualmente nesse país? Por favor, abstraia as manipulações midiáticas. Encare o seu íntimo sentimento a respeito desses comportamentos de desobediência e arrogância, de desprezo pelo outro, a começar por um certo chefe de governo.

Infelizmente, são esses valores de manutenção de privilégios, de não separar o público e o privado, de desmonte de políticas públicas criadas para minimizar a desigualdade social, de desrespeito às regras por se achar o dono da bola, de cultivar fiéis seguidores ao invés de fomentar o diálogo e a transparência, de eliminar ideias contrárias e fugir aos debates e de espalhar mentiras escalafobéticas, é que reinam aqui e agora. Os maus exemplos vindos de cima fazem escola. Só lamento profundamente a cegueira coletiva, que já anda diminuindo, mas ainda segue promovendo equivocados e infundados discursos, manifestações bizarras e sem o menor lastro de realidade, além, é claro, de um triste e desalentador papel de tolos. 

Só espero que tenhamos o que salvar ao fim desse pesadelo.


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