O que será depois que tudo isso passar? Confesso que já vivi todas as fases nesse período de quarentena, desespero, medo, angústia, tristeza, esperança. O próprio nome tornou-se defasado, quarentena não são quarenta dias? No início, como todo mundo, achei que passaria depressa, que o mundo mudaria, que a humanidade entenderia o recado de que é preciso ajustar a rota da caminhada. Não passou ainda e já não creio tanto em mudanças tão significativas. Tudo como era antes, no quartel de Abrantes? Também não.
Tenho lido muito nesses tempos, ouvido muita gente de diferentes nichos, conversado bastante. E um ponto em comum que observei são as pequenas mudanças internas de percepção da vida. Mudanças de olhar. Não há quem tenha ficado alheio a tudo que estamos vivenciando, em maior ou menor escala, fomos todos impactados. E todo esse impacto gera transformações. E, otimista que sou, aposto nas pequenas mudanças individuais para fazermos uma revolução coletiva.
Fomos jogados abruptamente a um presente sem possibilidades de planos futuros, tivemos que aprender a viver um dia de cada vez, a vida em stand by. Nos separamos daqueles que amamos, ficamos reclusos em casa, tivemos que abrir mão das demonstrações físicas de afeto. E isso doeu. O mundo virtual nos aliviou com suas possibilidades de encontros, mas nada substitui o abraço e a presença. Tivemos que nos recolher, fechar as asas, entrar dentro de nós. E nada nessa vida é tão transformador quanto o autoconhecimento.
Esse tempo de espera ainda não acabou. Mas, depois de tantos meses, já conseguimos certa resiliência. Não há como deixar de sentir por tanta tristeza, tantas perdas, tanto desgoverno, tanta desigualdade. Estranho é quem não se importa. Mas, o tempo não parou, e se pudermos perceber as pequenas alegrias, as conquistas, os presentes que recebemos da vida todos os dias, o caminho fica menos espinhoso.
Aprendi a exercer a gratidão como nunca, a redimensionar problemas! A aproveitar cada oportunidade de crescimento, a acolher meus limites, minhas dores e minhas possibilidades. Aprendi novos caminhos, novas janelas para o mundo. Entendi que nada está sob nosso controle, mas que podemos viver com isso. E como disse Caetano: “É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte…” A vida não para! Sigamos...
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