Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de julho, 2011

Menino

Mãe... Dá colo? Mamãe tá aqui menino, não chore mais. Mãe... Não quero... Tem que comer tudo menino, não quer crescer? Mãe... Tô com medo. Pode dormir menino, não tem mais monstro. Mãe... Caí... Toma cuidado menino, senão machuca. Mãe... Fui mal. Tem que estudar menino, pra ser alguém. Mãe... Cadê? Guarda suas coisas menino, se organiza. Mãe... Dá dinheiro? Tenha juízo menino, o mundo é crespo. Mãe... Não quero ir. Vamos com a gente menino, vem ter com os seus. Mãe...já vou sair. Não chega tarde menino, é perigoso. Mãe... Tô mal. Não bebe muito menino, coisa mais feia. Mãe... Não sei meu rumo. Tenha mais calma menino, ainda é cedo. Mãe... Cresci. Toma sua vida menino, vai se fazer. E sê feliz!

Homenagem ao desagrado

Singela... Rima com tigela, Remete a flores de plástico, Daquelas bem vagabundas. Não gosto dessa palavra, Acho cafona, sem classe. A rosa não é singela, Tampouco o amor o é. E por tanto detestá-la, Desprezá-la até, É que dedico todos esses versos, A essa palavrinha infame. Singela... Rima com donzela, Quer coisa mais démodé?

Aquarela de Gente

Tem gente que nasce nublado, Cinza e abafado. Tem gente que sempre é sol, Dourado, Iluminado. Gente vermelha, Arregalado, autoritário. Gente amarela, Desgosto, Desespero. Gente bege, Coadjuvante, apagado. Gente rosa, Vaidoso, sedutor. Gente azul, Equilíbrio. Nessa aquarela de gente, Tingimo-nos de mil cores. Mil amores, dissabores, Emoções de todo jeito. Mas o que quero é ser feliz, Colorida como for.

Palavras Minhas

Uma noite mal dormida, um sonho aterrorizante. Um mar de palavras soltas, desconexas, inacessíveis. Teimavam em não se juntar. Essa mania de escrever, torna-se quase escravidão. Ás vezes aquela idéia, que dá trabalho pra expressar. Noutras vezes vem tudo pronto, mal dá tempo de anotar. Será que isso é um dom, será uma maldição? Só sei que é meu prazer, dizer o que bem entendo. Sem censura nem receio, libertar o pensamento. Fazer do prazer um ofício? Quem sabe um dia... Por hora as palavras são minhas, são apenas meu alento.

Bicho

Não gosto de bicho em casa, Vivia repetindo. Cachorro é bom pra criança, diziam, Tentei cuidar de alguns. Acabei desanimando. Não quero mais bicho em casa, Continuei a cantinela. Mas por obra do destino, Eis que me surge uma gata. Vira lata, abandonada. Não ia deixar morrer. E não é que me apeguei? Achei o bicho perfeito. Asseada e silenciosa, Elegante e esperta. Discreta ao pedir carinho, Independente, bem resolvida. Sempre por perto, atenta. Gato não é egoísta, é sutil. Não quero outro bicho em casa, gato eu gosto, assumi.

Um quarto com cortinas azuis

Dia nublado e frio, Chuva na janela. Lembrança de aconchego, Um quarto de cortinas azuis, Muito agasalho, Alegria, Segurança, Felicidade!

Vinte e Sete anos

Vinte e sete anos.... Sentença? Maldição? Destino? Acho que não. Apenas uma lamentável coincidência. Poderia ser aos vinte e quatro ou trinta e dois, a inadequação à vida é a mesma. Amy Winehouse, Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, e outros tantos anônimos que deixaram a vida precocemente. Por aqui, pra lembrar artistas famosos podemos citar Raul Seixas, Elis Regina, Cássia Eller, e apesar de terem perdido a vida para a AIDS, cabe também citar Cazuza e Renato Russo. O que todos eles têm em comum, além da passagem inexorável da morte? A vida. Vida turbulenta de quem não cabe em si. Vida masoquista de quem não se enquadra. Vida triste de quem não vislumbra o fim do túnel. Vida louca de quem tem muito a dizer, mas não para pra escutar. Vida só de quem não coexiste. Tormento! Conheci gente assim, todos conheceram. Talvez o que mate mais rápido aqueles que têm fama, seja a própria fama. Os olhos de todos voltados para um ser que não se entende nem com o espelho. A n...

Música

Meu pai tinha uma eletrola Philips, muito moderna, automática. Não podíamos mexer, mas adorávamos vê-la funcionando sozinha, com todos aqueles LPs empilhados caindo um após o outro. Quando crianças nossas manhãs de domingo eram embaladas por Dorival Caymmi, Chico Buarque, Edu Lobo, Milton Nascimento, Nara Leão, Toquinho e Vinícius, Elizeth Cardoso, Miltinho e outras pérolas da MPB. De vez em quando, tínhamos que ouvir, mesmo sob protestos, a coleção de clássicos do meu pai, de Bethoven a Vivaldi com todas as suas sinfonias, sonetos e valsas. Quando ficamos adolescentes, a mesma eletrola, já não tão moderna e agora denominada som, passou a tocar Lulu Santos, Kid Abelha, Rita Lee e outros nomes do rock nacional e internacional. Meus pais protestavam veementemente contra o barulho da novidade, mas no auge da contestação, não podíamos admitir gostar de “música de velho”. Hoje, no entanto, aqueles primeiros são meus músicos prediletos e todas as vezes que vou a uma loja de discos, procu...

Carmo da Mata

Cidadezinha simpática , aconchegante e bonita, com uma encantadora praça da matriz, uma das mais belas que já vi. Seus casarões antigos guardam memórias de gerações que fizeram a história da cidade. Suas novas casas abrigam vários filhos seus que se foram e retornaram para desfrutar do seu sossego. Carmo da Mata! Cidade que vive a tradição do fogão à lenha, da lata do leite nas porteiras das fazendas, das quitandas feitas em casa; dos doces de goiaba, laranja e marmelo; das músicas tocando na igreja para chamar os fiéis para a missa; das festas religiosas com suas procissões, barraquinhas e solenidades. Ao mesmo tempo, a cidade abraça a modernidade dos telefones celulares, da rádio, dos computadores, da Internet. Carmo da Mata! Cidade com problemas como qualquer outra. A falta de emprego, de perspectiva, às vezes até de esperança. A má distribuição de renda, falta de moradia, de assistência médica, a pobreza e outros problemas sociais tão comuns no Brasil. Outros mais peculiares co...

Privacidade? Isso ainda existe?

A privacidade que tanto prezamos em nossas vidas não faz parte da vida de nossos jovens.Twitter, Facebook, orkut e outras redes sociais recebem todos os tipos de desabafos, declarações, relatórios diários de atividades, enfim, está tudo escancarado, pra quem quiser ver, ouvir e saber. Essa é uma geração pública! Todos seus amores, problemas, dissabores é compartilhado com os amigos do mundo inteiro, em tempo real. Quais serão as consequências disto? Só o tempo irá dizer. O mundo virtual chegou para ficar e não adianta ninguém espernear contra isso. É fato. Mas temos que ensinar aos mais jovens que a vida real continua. Que as relações humanas vão além de scraps, mensagens e depoimentos. É necessário saber conviver cara a cara, conversar de verdade, olhando no olho. É preciso amar de verdade e dizer isso ao pé do ouvido. No mundo virtual as declarações de amor se tornam fáceis e instantâneas, muito mais fácil escrever sozinho em seu quarto do que falar ao vivo; mas o que se ...