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Mostrando postagens de dezembro, 2018

Poesia é todo dia

Toda vida Toda a vida Cabe em versos E tantos E leves, e fatigantes E doces, e tristes Exultantes, soturnos Ousados ou cabisbaixos Medianos, soberbos Tudo cabe na poesia Toda vida Em toda a vida Poesia é todo dia!

Quantos versos?

De quantos versos A vida é feita? Versos que choram, e gritam E acolhem e riem? De quantos versos Uma tristeza anseia Pra perder o fio, Que corta e expõe Nervos e músculos? Em quantos versos As certezas cabem Inexatas Até que anoiteçam Meros devaneios? Com quantos versos Uma vida é feita, Rarefeita ou sólida Insipiente ou sábia? De quantos versos Uma dor se alimenta Até que o casulo se rompa E a metamorfose se complete? Quantos versos Cabem em uma alma? Se a poesia, já se fez corpo, Que de tanto existir Se fez alado?

Ano novo, de novo!

2018 foi rápido como um raio e barulhento como um trovão, mas um novo ano se anuncia e com ele, como de praxe, fazemos planos, refletimos sobre o ano que passou, desejamos prosperidade e sonhos realizados. Mesmo que saibamos que a vida segue e que o tempo não para, há sempre um sentimento de renovação nesse momento. Esperamos dias melhores, mais serenos. A cada passagem de ano fica a pergunta: o que a vida nos reserva nesse novo tempo?  Quando chegamos a uma determinada fase da vida, quando já vivemos o suficiente para não alimentar ilusões tolas e já convivemos melhor com a ideia de que não controlamos quase nada, o melhor exercício é focar no que depende de nós, exclusivamente. E é isso que pretendo fazer nessa virada, refletir sobre em que posso melhorar pra transformar a vida numa aventura mais leve, mesmo que tenha que enfrentar alguns momentos mais duros.  Alguns propósitos eu compartilho aqui. Viver mais o presente do que esperar o futuro, regra básica,...

Dia bom

Quando o sol se põe Encerrando mais uma tarde De sábado, dia bom De terna preguiça De alegria doméstica De alma leve e livre, Agradeço aos céus Por mais um dia, em que Pude exercitar esperança E sentir felicidade pura, sem Subterfúgios, sem nome De gente ou de coisa. Casa, filho, cachorro Comida, música e poesia “Horinhas de descuido” e paz E fui feliz...e grata.

Leveza!

“Uma boa definição de felicidade: ser leve para si mesmo.” Esta frase da escritora gaúcha Martha Medeiros, talvez seja o caminho que tanto procuramos e, muitas vezes, não encontramos nos labirintos de nossa existência. Leveza! Diminuir o peso, aprender a não carregar como nossos os fardos e problemas alheios, deixar as mágoas e os rancores pelo caminho, jogar fora aquilo que não é necessário e que não nos acrescenta; não gastar energia com o que não vale a pena e principalmente saber identificar prioridades. Oxalá fosse simples! Mas não é impossível, basta uma pitada de boa vontade, algumas colheres de lucidez e sensatez, porções de atenção e amor-próprio e uma generosa quantidade de autoconhecimento. Se pararmos pra refletir, muito do que rouba nossos sorrisos, não nos pertence. Claro que devemos sempre ser solidários com aqueles com quem convivemos e amamos e se pudermos ajudar oferecendo um ombro, um sorriso, um colo ou uma palavra amiga, isso só nos trará alegrias. M...

Convite

Na igreja Matriz do pequeno lugar a música chama os fiéis Ritual secular que teima em perdurar De todos os lados brotam pessoas de braços cruzados Caminhando em direção ao templo Não vou, não sei o que será, não me calhou O meu convite é para lembranças... As meninas esperando a hora do banho Na casa azul da Tia avó Os trajes de fim de domingo na cama O entardecer com cheiro de alegria O tempo de marcha à ré. Hoje o ocaso tem gosto de saudade A menina que fui abraça a mulher que me tornei. As duas coexistem e Vez ou outra se encontram pra conversar.

Por hoje!

Sento na poltrona que gosto Pra apreciar o frio que chega Frio de outono, mansinho. Barulhos da rua me acolhem Me acalmam os ouvidos Ávidos por sons familiares. Silêncios da alma me encolhem Estrangulam o nó na garganta Que ainda não chorei inteiro. Ainda me faltam pedaços Arrancados sem cuidado Sem zelo pelo que foi. Triste sina de um amor Que não soube viver sem gaiolas! No outono as folhas caem, secas Deixo as minhas pelo caminho Antevendo o inverno sombrio. Deixo-me podar os galhos Árvore ensimesmada me torno,mas Sou semente, latente, repleta de vida contida Brotar é questão de tempo E de terra fértil, que cabe só a mim adubar E revolver, e limpar de mágoas e tristezas profundas A busca pelo sentido de tudo Me mantém forte e altiva Tenho raízes profundas, Me reconheço, me faço Por hoje, me basto!

Sombras

Quantas inconsistências Uma mente carrega? Em cada curva encefálica Em cada esquina da alma? Quantos cantos sombrios guarda uma criatura acuada? Que pra esconder as fraquezas Pra deslembrar os fracassos Aniquila-se a história Despreza-se os afetos Elimina-se as testemunhas... Estilhaça-se o espelho Cuja imagem é insuportavelmente real? Quantas pedras terá que lançar, até que todos partam? E a solidão, e o medo, e a desesperança engulam a vida... Sombras...

Vida que segue...

Sim Sempre ela (a literatura) a me trazer e levar Ele veio sobre livros Olhou, sorriu, acenou. Não se cumpriu o ato, o encontro Mas me despiu de fato Dos medos e tolices que enrijeciam ombros e dentes Soprou de leve vida e alegria Avivou brasa mansa quase fria Cumpriu a sina e virou a esquina.

Um dia...é hoje

Houve um tempo em que eu acreditava Que tudo um dia estaria certo E poderia viver em paz perenemente. Tudo em seu lugar, sem sobressaltos, sem imprevistos, Vida leve, dia a dia, contos de fadas. Tolice! Hoje acredito que esse dia, De viver em paz em um nirvana qualquer, Não existe nem mesmo nos remotos templos budistas no interior gelado do Tibet. A vida é o que temos pra hoje, Sem controle, sem remansos intermináveis, sem lugar definido. A paz, a coragem, a alegria, a dor, o medo, a tristeza, a incerteza, a luta; precisamos achar dentro de nós. É lá, no profundo ser de cada um, que vive aquele tempo de serenidade que ingenuamente procuramos ao redor. O meu caminho foi e ainda é pelo autoconhecimento, pela reflexão, pela leitura, pela observação atenta. Não há receita pronta. Não há interlocutores. Somos os únicos responsáveis por nós. Desejo a cada um a alegria desse encontro!

Marcas do Tempo

As marcas do tempo Se atiçam na pele, e Sobre o corpo mutante Um estetoscópio acusa: Há ainda um pulsar... Na cabeceira letras repousam E alimentam a coragem E a teimosa vontade De não sucumbir! As tristezas da vida Se fundem nos dias, e No verso insuspeito Que ouso fazer Desejo leveza, alegria Sorrisos que se abrem Em meio às pelejas da sina. E sonhos... Horizontes... afetos...e recomeços.