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Mostrando postagens de outubro, 2020

Luna

  Quando o mundo grita demais Procuro o silêncio das noites de lua. Cheia, ela inunda a noite de poesia Inspirando o suspirar dos amantes. Minguante, ela recolhe a majestade Cedendo espaço pras estrelas.  Nova, ela descansa do brilho Numa pausa pra renascer.  Crescente, novo ciclo irrompe Vida nova de luz e força Pra de novo, em plenitude, Clarear nossa utopia.

Limiar

    Vivo num limiar anaeróbio Entre o dia e a noite E nada me transcende Nesses dias de árida espera. Rompi as barreiras sólidas Das paredes que me oprimiam. O horizonte abriga o sol Que se põe em cores rubras Tingindo de paixão a noite. Busco a poesia que me conforta E sempre me guia. Não a perco de vista, Mesmo que em alguns momentos Não a encontre farta em meus olhos. Há instantes que são silêncio.  

Sigamos...

  O que será depois que tudo isso passar? Confesso que já vivi todas as fases nesse período de quarentena, desespero, medo, angústia, tristeza, esperança. O próprio nome tornou-se defasado, quarentena não são quarenta dias? No início, como todo mundo, achei que passaria depressa, que o mundo mudaria, que a humanidade entenderia o recado de que é preciso ajustar a rota da caminhada. Não passou ainda e já não creio tanto em mudanças tão significativas. Tudo como era antes, no quartel de Abrantes? Também não.  Tenho lido muito nesses tempos, ouvido muita gente de diferentes nichos, conversado bastante. E um ponto em comum que observei são as pequenas mudanças internas de percepção da vida. Mudanças de olhar. Não há quem tenha ficado alheio a tudo que estamos vivenciando, em maior ou menor escala, fomos todos impactados. E todo esse impacto gera transformações. E, otimista que sou, aposto nas pequenas mudanças individuais para fazermos uma revolução coletiva.  Fomos jogados...

Mulheres minhas

  As mulheres primeiras Umbilicalmente atadas a minha vida! São força e laços estelares De profundo e incondicional amor. Que alimentam e amparam Nossas existências de luz. Berço e colo sempre Guarda-alma do caminhar De cada uma e de todas. Somos sempre juntas!

Matrioskas

  Dentro de mim, num mosaico Muitas se aglomeram Esperando o momento de se apresentar. Versões se aprimoram Outras  saem de cena Outras ainda, nascem do fundo escuro De um pântano nublado. Lótus florescem e buscam o sol que me guia. Matrioskas se abrem Mostrando as muitas mulheres Que juntas constroem quem sou.