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Mostrando postagens de abril, 2020

Cegos

Devagar, mas com imperiosa fúria Na sesta imposta à humanidade A natureza renasce! Entre rios, mares e lagoas Antes afogadas em partículas estranhas Que asfixiavam os seres viventes A existência pululante brota E regurgita pro pobre sapiens Toda a sua majestade roubada Há milhares de milhares de anos. O horizonte tal qual nunca visto Desponta sem traços de cinzas e gases Fazendo as retinas tão donas de tudo Admirarem-se de tão belo espetáculo. Bichos e verdes, terras e águas se unem Numa anarquia com ares quiméricos Celebrando o castigo infligido ao monstro. A Terra respira, em liberdade enfim Ajeita a casa, refaz arranjos, recria Mostra de novo o caminho a seguir. É preciso retirar as vendas que cegam!

Insubmissa Poesia

Insubmissa poesia Que fugaz irrompe pelos poros, em Jorros livres de palavras flechas, que Atravessam a noite, longa e conselheira, Adiando a hora de adormecer. Um amor, em estado etéreo? Sem certezas nem lembranças Insiste em bailar retumbante Embaralhando sonhos e devaneios, tão Transparentes como o zinco. Em dias de alegre encontro Conversas longas e cuidados mútuos Planos traçados me convencem a alma E abraço crédula, com as garras de fêmea O existir tangível de um bem querer Mas em outros de silêncio incômodo, Esmiuçando vírgulas e arrependimentos Me convenço inteira de tenaz equívoco E aquiesço com sorriso brando O nobre lugar de genuíno amigo. Sob a oscilação de emoções tão dúbias Espero em guarda um aceno reto Pra definir o que de fato existe. Pra desaguar todo o amor, represa... Ou confiar nas curvas do destino. E nesse jogo que impõe sorrisos Mas ainda segue sem se nomear O tempo acena com uma pressa insana E cabelos brancos tingem-nos a fron...

Janelas insones

Numa noite de abril Banhada à luz da lua Redonda inteira plena Bailam nuvens efêmeras Num balé atmosférico Criando bichos e arabescos Pra distrair a minha insônia! Pelas frestas de minha janela Moldura do luar mais belo A madrugada acorda o dia. Antes do sol o galo canta Indiferente ao meu apelo, e Com saudades amanheço Inundada de poesia!

Palimpsesto

Um ímpar coração Qual palimpsesto Apaga ilusões Pra escrever nova esperança. Atrás das nuvens o sol sempre brilha E essa verdade é inegociável. Os brotos rompem concreto e rochas, e Sempre haverá arco-íris depois da chuva Torrencial ou branda. O cheiro de terra molhada Invadem os órfãos olfatos Preenchendo as memórias de infância. Os mesmos amores que portam sorrisos Carregam consigo mais dores e medos. As mães existem para provarem Que é o afeto que move a vida. Nada mais.

Pandemia

Dias difíceis para os sonhadores A realidade superou a fantasia! E o tempo, antes tão escasso e veloz Parou e não vemos o horizonte Não sabemos mais o que fazer com ele. Os ponteiros do relógio passeiam E amanhecemos sempre no mesmo dia. As notícias que chegam são difíceis E ainda não aprendemos a lidar com elas Tantas coisas temos a fazer! O futuro era nossa motivação E por hora temos somente o presente Um dia por vez, como uma oração Esperar é nossa maior dor Sem saber o mundo que iremos encontrar Precisamos acreditar que tudo isso vai passar E o mundo voltará a viver Tempos mais leves e coloridos Dias difíceis para os sonhadores A realidade superou a fantasia!