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Mostrando postagens de outubro, 2011

Statu quo

O mundo das letras é um mundo mágico. Quando conseguimos traduzir sentimentos em palavras, mais que emocionar e tocar o outro, aprendemos a nos conhecer. Posso afirmar, sem chance de errar, que depois que transformei uma facilidade em hábito, encontrei muito em mim, que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim pretendo continuar, escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. E a minha alma está desnuda para quem souber percebê-la nas palavras ditas. Sou uma mulher tímida, mas sou determinada quando acredito na causa. Sempre me senti melhor em ambientes íntimos, com pouca gente. Prefiro muitas vezes uma tarde de domingo entre amigos que uma festa concorrida. Sou contida, procuro ser discreta, não me permito perder o controle, não aprendi me jogar sem rede de proteção. Mas quando escrevo posso se...

Pé no freio

Quem acha que o dia está menor do que há alguns anos, levanta a mão! Acredito que se estivesse em um ambiente lotado, a maioria concordaria comigo. O tempo está voando! Dizemos e ouvimos isso a toda hora. O dia não dá pra nada, o ano mal começou e já avistamos novembro, os meses passam por nós sem nos darmos conta deles. Lembro-me que não foi sempre assim. O que está acontecendo então? Por que essa sensação de falta de tempo está virando unanimidade? Lembro-me do tempo em que nos correspondíamos por cartas e esperávamos tranqüilos pela resposta, que podia demorar semanas; hoje se um email demora alguns minutos para chegar ficamos inquietos. Antes tirávamos fotos com nossa câmera e esperávamos algum tempo para que o filme acabasse e elas fossem reveladas; agora podemos fotografar e apagar, refazer, publicar pro mundo em algumas horas, quando muito. As notícias nos chegam instantaneamente, em tempo real, e se não sabemos de tudo que acontece nos sentimos desatualizados. Tem...

Lunar

Sou de fases, diz Cecília. também eu nelas flutuo, ao sabor do que me toca. As vezes elas se repetem, noutras surgem renovadas. Mergulho em intenso vazio, a rotina o único respiro! Escalo alegrias profundas, eternas até se abrandarem, mas caminho distâncias serenas, na maioria do tempo. As fases ensimesmadas, sem muito a oferecer, além da dor estampada, de nada querer fazer. As fases de mim esquecida, projetos , disposição, sou desta feita, o que esperam que seja, cumprindo a obrigação. Criativa, rabugenta, mal humorada, resignada, triste, ácida, taciturna, alegre, sã, animada. Sou de fases, sou de luas. Mas em todas, sou eu mesma, minhas sete vidas nuas!

Entremeio

Madrugada, noite calada. Onde até o calor repousou, e a vida trafega mais lenta, sem semáforo e sem porvir. Madrugada, clandestina. Onde gente amedrontada, desfila seus vícios pífios, destila seu fel mortal. Madrugada, insone. Onde o tempo é estagnado, e o relógio andando parado, angustia no breu silêncio. Madrugada, solidão. Onde pensamentos tresloucados, fazem planos endiabrados, juram promessas todas pagãs. Madrugada, paixão. Onde amores, duetos plenos, são santos, pecados,insanos. exultam e desesperam. Madrugada, noite anciã. Dia menino, guri. Cabem os dois em igual algarismo, mas sem abraçar o sol, a alvorada é ainda amanhã!