Naquele dia eu ainda não tinha nascido, mas carrego comigo, desde quando não sei, lembranças de um tempo que não vivi. Naquele tempo, de romantismos e elegâncias, de efervescências culturais e de disparidades sociais, foi quando o súbito aconteceu. O que sei aprendi em livros, revistas, jornais. O que sinto vivi, ou apreendi de um tempo triste e sem cor. Meu pai contava casos, os professores contavam histórias. Hoje, 50 anos depois, tentam amenizar o que houve. Relativizar seus abusos, encobrir seus erros de todos os lados, enaltecer os “heróis” de ontem que tristemente são os abusadores de hoje. Ainda hoje escuto vez ou outra dizerem: naquele tempo o país era bom, tinha ordem, tinha respeito. E toda vez que escuto isso, um arrepio frio me corre a espinha. Julgo sem piedade a ignorância do discurso, seja de quem for. Pergunte sobre a ordem pras famílias inteiras que só viveram terror! Pergunte sobre respeito àqueles que foram calados com ódio e escárnio! Pergunte sobre bondade aos ...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!