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Mostrando postagens de julho, 2015

Suspeitas

Tenho cá pra mim algumas desconfianças, Que anotei no coração. Pra vida eu vim a trabalho Tem gente que veio a passeio. O tempo é pura ilusão De fato não existe E ainda vamos descobrir Nessa ou em outras vidas O jeito de nele ir e vir. Somos todos mestres Sempre sabemos mais de algo. Somos todos escravos Sempre estamos algemados Nosso algoz é nosso ego Não vivemos sem prisões. Viver sem poesia é possível Mas não é recomendado. Do mundo existem quantas versões Quantos homens existirem O universo é particular. Vivemos querendo saber Morremos a suspeitar. Os olhos falam muito mais Do que a boca Precisamos ouvir as janelas da alma!

Manoel

A TV discorre sobre Taxa de juros, corrupção Violência e cruezas da vida! Que enfado me acomete! Aí, pego um livro de Manoel [de Barros] E vou flanando em seus versos Leves e livres de explicações. Com suas palavras e despalavras Substantivos feito verbos Também 'componho meus silêncios' Já posso dormir em paz!

Lembranças de infância!

Lembranças de infância! Elixir para aqueles dias difíceis, em que não conseguimos encontrar sentido em tudo que vivemos ou para aqueles momentos que desconfiamos de nossa vocação pra felicidade. Marcas viscerais, capazes de nos acometer de uma alegria desmedida ou de uma aguda melancolia. Mas sempre são bem vindas e necessárias. E o que nos remete a esses momentos? Pode ser uma música, um cheiro, um sabor, bilhetes e cartas perdidas no tempo, fotos e vídeos e histórias; muitas histórias relembradas nos encontros de família, daquelas em que se aumenta um ponto a cada conto e nos reabastece de energia e cuidado! Todas as vezes que, em noites frias, me deito na cama cheia de cobertas, revivo a sensação que tinha quando criança, uma sensação de gratidão e segurança, de felicidade por ter uma cama quentinha onde todas as noites esperava o beijo de boa noite dos meus pais e ali naquele instante tinha a certeza de que nada de ruim poderia me atingir, estava a salvo de qualquer desve...

Recado

A você Que pensa que me conhece Sinto muito em informar-te Que do livro que me define Não traduzi nem a metade Não venha apontar-me dedos Que sou feita de incompletudes E, mesmo garimpando certezas [há décadas] Olho-me no espelho, e não raro O que vejo são apenas medos A você Que acha que me conhece Digo-te sinceramente que Inda não sei tudo que me faz Sigo apaziguando inquietudes Sou quebra-cabeças De peças esparramadas Apenas deixo rastros, pistas Pelos caminhos que tateei Pelos atalhos que não ousei A você Que quer saber de mim Posso indicar o caminho [talvez o único] Estou inteira nas entrelinhas Das palavras que semeei