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Mostrando postagens com o rótulo vida

Desidratação

                                      A secura do tempo, do ar, carregado de poeira e fumaça, Embaça a alegria e, entorpece a alma e o coração. A agonia estampada na ressequidão da paisagem, O fogo que alastra sem cessar A vida que se ressente e sucumbe à dor e à escassez. Hoje me faltaram esperanças. Sinto um ímpeto em escamotear imagens desidratadas. Um excesso interno de vida pra aguda penúria de umidade, Que impede os brotos e as inspirações genuínas e mornas da tarde quente. Retorcem-se as entranhas, retorcem os galhos carcomidos pelo fogo e pela luta. Faltam as forças, falta o retorno, falta o abrigo, falta a brisa do mar. O céu permanece azul, adiantando que não há previsão de chuva. O coração permanece em penumbra, aguardando o sinal pra que a luz seja acesa. O tempo corre, retorcido pela íntima percepção de clausura.

Lembranças doces

  Lembranças! Quem não as têm? Boas e ruins fazem parte do que somos. Mas, em tempos de distanciamento, elas parecem mais vivas e acalmam nossas saudades e vontades! E cultivar, principalmente as boas recordações, pode ser uma boa estratégia para serenar nossos corações apreensivos com tanta incerteza. Claro que de incertezas, nossas vidas vivem cheias, aliás, ouso afirmar que, é só o que temos. Porém, quando a vida é assaltada por inusitados acontecimentos, e nos coloca em risco, um conforto é nos agarrar às vivências que nos fizeram felizes. Pois bem, hoje ouvi um podcast que me fez entrar em um túnel do tempo e relembrar momentos idos de infância e adolescência. Ouvindo o áudio da escritora Cris Guerra e suas irmãs, nesse podcast que ela criou para celebrar os seus 50 anos, me veio à memória muitas passagens com as minhas, que contam um pouco de nossa origem e do modo de vida naquele tempo de infância. E além disso, tomei consciência do quanto essas vivências nos marcam, a ponto...

Quarteto Fantástico

                                               Inaugurei uma geração de mulheres na família. Sou a mais velha de quatro irmãs. Um mundo feminino que me moldou e onde primeiro aprendi sentimentos de sororidade. Um universo de vivências comuns, mas individuais, que me ensinou a seguir acolhendo e tocando os espaços alheios com delicadeza e respeito (nem sempre com serenidade, admito), mesmo que tenhamos tido momentos de tensão, o que é inevitável. Irmãos são testemunhas de nossa própria história e manter esse afeto intocado na vida adulta, demanda exercícios de alteridade e empatia, para além da consanguinidade. Seguimos unidas, acolhedoras umas das outras, formando uma rede protetiva e um colo incondicional. Uma benção! Com duas delas, dividi amor e ódio enquanto crescíamos e buscávamos a nossa individualidade em meio a crises adolescentes, descobertas do mundo, assombr...

Lições de gente pequena

Ouvi de um amigo querido, no início da pandemia, ‘vamos ver o que irá sobrar de nós depois que tudo isso passar’. Depois de mais de cem dias de confinamento, a reflexão ainda ressoa em minha cabeça. O que será de nós? Como será essa tão falada nova normalidade? Como retomaremos a nossa vida de antes? Ou melhor, o que retomaremos dessa vida tão recente, mas tão distante? Acredito que não há quem esteja atravessando essa tormenta ileso. Em diferentes profundidades, os impactos estão presentes em cada um de nós. Impactos emocionais, financeiros, práticos. O distanciamento social a que nos submetemos gera consequências. Por mais que o trabalho continue em home-office e que a internet nos amenize um pouco as saudades, a impossibilidade dos encontros dói e a certeza de que todo mundo ainda existe alegra. E dói e alegra independentemente da idade. Muitas vezes vemos as crianças como alheias aos sentimentos comuns, como se não tivessem alcance de todas as emoções que pairam no ar, da casa, da...

Palavras ao vento! Publicações!

Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia E manda o povo pensar! O livro, caindo n'alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar! Castro Alves ALVES, C., Espumas Flutuantes, 1870. Desde 2013, já são algumas publicações! Tiragens pequenas, modestas, porém uma maneira de reverenciar o objeto livro, que amo muito, e também deixar palavras voando em papel por aí! O registro físico emociona! Por isso já são 4 livros solo e duas participações em Antologias Femininas, lindas e fortes! Hoje compartilho aqui uma reunião dessas publicações. Ainda disponíveis para aquisição temos o livro de crônicas do Clube de Autores, O último brinde! e o livro de poesias e crônicas, Não repare a bagunça. Para entrar em contato, deixo meu endereço de e-mail: junia.paixao.mendes@gmail.com 2013 (Clube de Autores) 2014 (Ed. Literacidade) 2015 (Ed. Literacidade) 2019 (Gulliver Editora - Selo Adelante) 2019 (Páginas Editora - Antologia) 2018 (Mulherio das Letras - Antologia)

Transformações em tempos de Pandemia

Em tempos de pandemia, nos preparamos para uma nova normalidade. A vida de todos foi impactada de alguma maneira, ninguém sairá ileso dessa quarentena. Aqueles que perderam algum ente querido para o vírus, que não puderam se despedir direito, vão carregar essa dor vida afora. São muitos! Aqueles que mantiveram a saúde em seu entorno, sairão mais inteiros, entretanto penso que não voltaremos mais àquela normalidade antiga. Hábitos novos, reflexões novas, novos valores. Definitivamente o mundo pós-pandemia será outro, e espero que mais atento aos apelos que se escancararam nesses dias reclusos. Uma das mais emblemáticas mensagens que recebemos foi o quão desigual ainda é o nosso país. Nossa estrutura social é cruel e impinge a um número imenso de brasileiros o lugar de invisíveis. Dramas anônimos passaram por nós, seja pela TV ou internet. Gente sem renda, sem casa, sem abrigo, sem nome. Um contingente absurdo de nossa população que não tem acesso a informação, aos cuidados...

Melancolia

Um pouco de frivolidade Preenche a superfície E as horas acontecem Esquecidas da verdade Um pouco de ocupação Gasta energia contida E o tempo atravessa Disfarçando a solidão Um pouco de tristeza Acalanta o coração Compelido a ser feliz Sem absoluta certeza Uma certa melancolia Cobre o vazio do dia...

Dias

Tem dias que não preciso de música Só silêncio... Tem dias que não preciso de pernas Só canetas... Tem dias que não preciso de lágrimas Só sorrisos... Tem dias que não preciso de palavras Só olhares... Tem dias que não preciso de ombros Só colo... Tem dias que não preciso de alguém Solidão... Tem dias que não preciso Só quero...                      *** Tem dias que não quero silêncio Só música... Tem dias que não quero canetas Só pernas... Tem dias que não quero sorrisos Só lágrimas... Tem dias que não quero olhares Só palavras... Tem dias que não quero colo Só ombros... Tem dias que não quero solidão Só você... Tem dias que não quero Só preciso...