“A gente precisa aprender a se retirar da mesa quando o amor já não está sendo mais servido.” Essa frase, da primeira vez que a li, me pareceu distante de minha realidade, a anos-luz da minha vivência de um casamento duradouro e ‘sólido’. Sempre escrevi que tudo pode acontecer com qualquer um de nós, a qualquer momento, e me incluía nesse pensamento teoricamente. Mas, fato é que na realidade, sempre nos colocamos a salvo das intempéries da vida, como se a pedra só caísse no telhado do vizinho. Comigo não foi diferente, achava mesmo que viveria para sempre aquele relacionamento de 30 anos ao qual estava, ao menos em minha cabeça, irremediavelmente acorrentada. Ledo engano! Por mais que a possibilidade de uma separação me rondasse, que a vida a dois já causava mais dissabor que alegrias, que já não enxergava mais o homem pelo qual eu me apaixonei aos 19 anos; hoje, 30 anos e 3 filhos crescidos depois, com uma história de crises matrimoniais recorrentes, me vejo sozinha...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!