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Mostrando postagens de junho, 2013

Varal

As primeiras... São pequeninas e coloridas Enfeitadas, cuidadoras Uma coleção de delícias Amor feito tecido! Aí elas crescem Multiplicam-se, transformam-se, Uniformes da escola... Manchas de suco e de tinta raladas nos joelhos encardidas de brincadeiras. Depois São cheias de estilo Especiais, cheirando a paixões Amores e escolhas! Um dia elas se mudam E vão povoar outros quintais! Ah! Podemos acompanhar a vida de nossa semeadura Pelas roupas recém-lavadas Dependuradas nos varais!

Libertas quae sera tamen

#Vem pra Rua! A esperança está no ar! A massa adormecida acordou e está reaprendendo a fazer a hora. Oxalá seja o início de um despertar tão desejado, e por consequência o fim da farra com o dinheiro público! Confesso que cheguei a desacreditar que isso voltaria a acontecer, mas valeu esperar 21 anos para ver o povo na rua de novo. Lembro-me do movimento das Diretas já, em 1984; da primeira eleição presidencial pós-ditadura e seus comícios inflamados, em 1989; e dos Caras-pintadas, em 1992. Todos esses movimentos pacíficos que mudaram a recente história desse país e que tenho orgulho de ter vivenciado. Como eu acredito no poder do povo! E acredito no poder da paz. Milhares de pessoas em paz, usufruindo o direito constitucional de se manifestarem, gritam muito mais alto que qualquer ato de vandalismo. E acredito no poder dos jovens. A juventude traz dentro de si a semente da transformação, talvez faltasse somente um empurrãozinho para fazê...

Verdade!

A maneira mais eficaz de por à prova seus princípios, é deixar de ser só estilingue e se transformar em vidraça. As pedras virão, mas a coerência enrijece o vidro. O melhor espelho é a própria consciência. O melhor conselheiro é o próprio sentimento.

Terráquea

Sempre brinquei que iria nascer homem, mas mudaram de ideia na última hora! Apesar de ter crescido entre mulheres (somos quatro irmãs) o universo masculino sempre me pareceu atraente. Quando criança gostava de brincar de carrinho e jogar futebol. Nunca tive excesso de vaidades nem paciência com futilidades. Salão de beleza somente para o que não consigo fazer sozinha, em casa. Em algumas reuniões onde os convidados se dividem por gênero, não raro prefiro o clube do bolinha com seus assuntos variados ao papo previsível e enfadonho de muitas mulheres; cabelo, unha, dieta e maquiagem são apenas detalhes e nunca o prato principal. Nunca preferi rosa, minha cor predileta é o azul! Não é por acaso que a vida só me deu filhos homens, acredito. Ser mãe de menina exige certa delicadeza que a vida não me ofertou. Sou direta demais, prefiro sempre as vias de acesso rápido, sou expressa. Mas não sou insensível e creio que minha poesia legitime essa afirmação. O que me falta é paciência com fre...

Azul Turquesa

Todos nós guardamos recordações de infância em um lugar especial de nossa memória. Temos sempre algum momento de ternura ou de magia, mesmo que a infância não tenha sido um mar de rosas. Ser criança é viver sem restrições ou preconceitos todas as emoções de forma intensa e pura. Ser criança deveria ser sinônimo de ser feliz. Tive uma infância muito feliz, com carinho, respeito e limites. Algumas passagens ainda guardo intactas na memória, com riqueza de detalhes; em outras as lembranças se misturam a imagens de retratos ou casos contados ao longo do tempo. Nossas memórias são uma mistura do real, do imaginário e de histórias repetidas através das estações. Mas o fato é que de alguma forma essas emoções marcaram a minha vida de uma maneira positiva. Acredito ser esta a minha mais remota lembrança. Era meu aniversário de quatro anos e morávamos na casa de minha avó Zininha, em Belo Horizonte. A casa era muito grande, de dois andares. Tinha um grande quintal nos fundos, uma escadaria...