‘Todo dia ela faz tudo sempre igual’ e há alguns dias, por duas vezes me dei conta o quão verdadeiro é essa frase do Chico. Era uma quinta-feira e quando saí do banho meu marido indagou: Uai, você não lavou o cabelo, como faz toda quinta? Fiquei tentando lembrar se realmente fazia o mesmo ritual toda semana. No dia seguinte, ao sair do trabalho meu filho perguntou: Você vai passar na padaria tal, como faz toda sexta? Aquilo me encafifou, pois foram dois comentários próximos, e fiquei refletindo sobre como os hábitos são determinantes em nossas vidas. Apoderamo-nos deles e colocamos a vida no automático, tudo igual todo dia, toda semana, a vida toda. E nem sequer nos damos conta disso! E engraçado que, por diversas vezes e com toda convicção, disse que a mesmice me aborrece. Imagina se não aborrecesse!? Seria o mais óbvio dos seres, talvez até o seja! Há milênios bebo o mesmo café com leite no café da manhã, sento na mesma posição do sofá para ver TV e na mesma cadeira da vara...
O mundo das letras é mágico. Traduzir sentimentos em palavras, além de tocar o outro, ensina a nos conhecer. Depois dessa descoberta, encontrei muito em mim que não era capaz de enxergar. Marquei um encontro comigo mesmo, que se renova a cada novo texto, seja prosa ou verso, público ou guardado. E assim sigo escrevendo, emitindo percepções e opiniões, desbravando esse universo infinito de possibilidades, onde as palavras desnudam a alma. Escrever hoje é minha melhor forma de existir!