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Mostrando postagens de junho, 2015

Aprendizes

‘Todo dia ela faz tudo sempre igual’ e há alguns dias, por duas vezes me dei conta o quão verdadeiro é essa frase do Chico. Era uma quinta-feira e quando saí do banho meu marido indagou: Uai, você não lavou o cabelo, como faz toda quinta? Fiquei tentando lembrar se realmente fazia o mesmo ritual toda semana. No dia seguinte, ao sair do trabalho meu filho perguntou: Você vai passar na padaria tal, como faz toda sexta? Aquilo me encafifou, pois foram dois comentários próximos, e fiquei refletindo sobre como os hábitos são determinantes em nossas vidas. Apoderamo-nos deles e colocamos a vida no automático, tudo igual todo dia, toda semana, a vida toda. E nem sequer nos damos conta disso! E engraçado que, por diversas vezes e com toda convicção, disse que a mesmice me aborrece. Imagina se não aborrecesse!? Seria o mais óbvio dos seres, talvez até o seja! Há milênios bebo o mesmo café com leite no café da manhã, sento na mesma posição do sofá para ver TV e na mesma cadeira da vara...

Tempestades

Ando pelo mundo [meu finito mundo] Por vezes sem destino Por vezes sem razão Entre tempestades e bonanças Não conheço o lugar em que nasci E isso me faz órfã de berço Não achei o pote de ouro Por detrás do arco-íris E isso me entristece Não consigo escrever Com um final sempre feliz A vida de meus filhos[como se fosse possível] E isso me amargura Por mais que viva e aprenda Ainda me encasqueto com tolices Desejos vãos, quimeras... Tropeço nas mesmas pedras E isso me amofina O espelho por vezes me assusta A lida diária ocasionalmente me enjoa Por vezes não caibo nenhures Mas passa...sempre passa!

Pátria Educadora? Ainda não!

Uma notícia no jornal desse fim de semana diz que, depois que o SISU foi implementado como única porta de entrada na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), houve um aumento na elitização da universidade, a despeito da proposta de democratizar o acesso, que em suma é o objetivo do governo federal nos últimos tempos. Ou seja, tudo como antes, no reino de Abrantes.  Não sei como está a situação em outras universidades federais Brasil afora, mas ainda não consigo ver, em grande escala, a democratização de oportunidades tão alardeada, pois não basta estar numa universidade, é preciso ter acesso à educação de qualidade onde quer que se vá. Na matéria, a proposta é aumentar o sistema de cotas e disponibilizar mais vagas para alunos oriundos de escolas públicas e de baixa renda. Mas continuo acreditando que esse não seria o caminho ideal para um país que se intitula Pátria educadora. Universalizar o topo da pirâmide e não cuidar das bases, a meu ver, é um contrassenso. A...

Quem poderá nos salvar?

Uma escola é feita de cotidiano, como a vida. O que sustenta o aprendizado que é colhido e construído é o dia-a-dia dentro da sala de aula, o olhar do professor sobre a turma, o relacionamento que se estabelece entre o mestre e o pupilo. Tudo o mais é enfeite, que embeleza, ajuda, é necessário, mas não é vital. O profissional capital da escola, aquele que não pode faltar e que é o maior responsável pelo aprendizado dos alunos, é o professor! Todos os outros, do diretor ao faxineiro, são suportes, que auxiliam ou atrapalham, mas que orbitam ao redor do trabalho do professor. Por isso ser professor é tarefa árdua, de extrema responsabilidade e que exige muitas habilidades além de conhecimento, capacidade de adaptação, vontade de acertar, vontade de aprender. Nesse papel não cabe menos. Em outras épocas, num passado não muito distante, o professor era autoridade absoluta (“falou tá falado, não tem discussão”!) tanto em relação ao conhecimento que detinha, quanto ao modo de se r...